sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

O projeto Achados e Perdidos evoca da violência ao lírico no palco (Correio Braziliense)

Foto: Luiz Alves
Diego Ponce de Leon

Não há um texto preciso. Apenas um roteiro. Os quatro integrantes do aclamado projeto Achados e Perdidos, do Ceará, não estão interessados em uma dramaturgia tradicional. Pelo contrário. Preferem subvertê-la. No trabalho Obra cênica #1, a ser apresentado hoje, como parte da programação da 3ª Conferência Nacional de Juventude, os artistas convidam o público a se relacionar com os relatos biográficos de cada um dos componentes.

"Contamos nossas histórias. Sem percebermos, elas ganham potencial bem instigante porque dialogam muito com as histórias de muita gente. Passamos por temas como casamento, descoberta da homossexualidade, abuso sexual, suicídio, entre outros. E tudo é real, poetizamos nossas vidas", conta o ator Danilo Castro.

"Sabemos o que vai acontecer. Só não sabemos como vai acontecer", afirma o artista, que define cada apresentação como uma "surpresa". Seja para a companhia, seja para a plateia. "É um estado de tensão e jogo o tempo todo".

Enredo 

Ao evocar memórias pessoais, o quarteto acaba oscilando entre o cômico e o trágico. Entre o delicado e o grotesco. O enredo de Obra cênica #1 perpassa momentos de violência, lirismo, erotismo e escatologia, de maneira a desconstruir a jornada de cada uma daquelas quatro pessoas e estabelecer um diálogo com o espectador. A trupe espera que o público possa se identificar com os depoimentos apresentados e, assim, gerar uma reflexão.

'Acaba sendo muito forte, muito íntimo, pra nós e pra quem assiste. Os retornos que recebemos são sempre muito emocionados", relata Danilo. Filho de uma candanga, o ator não esconde a expectativa em torno da passagem do projeto pela capital federal: "É bonito para nossa história estar em Brasília. Porque nossa obra vai mudando de acordo com nossos passos, nossas vidas".

Obra cênica #1

Com Keka Abrantes, Danilo Castro, Andrei Bessa e Edivaldo Batista. No Estádio Nacional Mané Garrincha, dentro da mostra Manifesta, da 3º Conferência Nacional de Juventude. Hoje, às 20h. Entrada franca, restrita a 100 lugares. Não recomendado para menores de 18 anos.

Fonte: Correio Braziliense (17/12/2015)


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