segunda-feira, 14 de abril de 2014

Um post para o Home Theatre, por Danilo Castro


Em meados de 2012 eu entrei num processo artístico meio doido onde os atores tinham que construir cenas a partir de suas intimidades. Pensei que esse negócio de "biodrama" tava meio na moda, mas na época eu não me interessei no projeto por causa disso. Acho que eu tava um pouco frustrado com meus últimos trabalhos cênicos e queria viver algo mais visceral, sujo, orgânico, incerto, menos codificado, elaborado ou refinado.


Daí topei entrar no projeto e, durante os encontros, fiz cenas sobre meus pais, alguns causos que me marcaram e algumas outras reminiscências bestas. Até que um dos atores disse que estávamos sem graça nesse processo. Que precisávamos cutucar nossas dores pra alimentar nossa criação. Que precisávamos morrer a cada exercício e renascer fortalecido. Aí engoli seco e dias depois resolvi contar - através da encenação de um conto que não conta - sobre o dia em que o demônio esfomeado que latejava em mim não se conteve sob a pele. Foi a primeira vez que falei dele e do dia em que comi como se fosse o último dia possível de se comer na terra.


Aí nasceu a cena "Domingo”, a partir do conto homônimo, que virou uma Cena Esquecida dentro do Projeto Achados & Perdidos e acabou nem entrando no espetáculo, mas nos alimentou como um achado dentro do nosso intercâmbio de memórias. Eu apresentei essa cena três vezes. Uma vez para meus companheiros de barco, outra vez num evento chamado “Pequenos Trabalhos Não São Trabalhos Pequenos”, do grupo cearense Teatro Máquina, e, por último, na casa do assistente social Pedro Vicente.


Ele é um cara que a gente não conhecia e se inscreveu na nossa Fã Page para apresentarmos cenas na casa dele a partir de um edital que lançamos. Nesse dia nasceu o Achados & Perdidos Por Aí... A ideia foi transformar uma casa em um espaço cultural alternativo, contestar a carência de pautas e centros culturais na cidade e, ao mesmo tempo, nos embebedar com novas experiências e memórias que a própria casa e o Pedro Vicente carregavam consigo. O resultado foi uma experiência linda no quintal, no quarto, na sala, na varanda.... Foi tudo muito enriquecedor pra nossa pesquisa, por isso creio que a gente tanto dialoga com o Festival Home Theatre. Veja algumas fotos.

A seguir, um trecho da cena registrado por Luciana Gomes, da Oxe Produções.


Pra fazer o Domingo acontecer não precisa ser domingo. Basta um prato, uma faca, alguns legumes e alguém que tope manusear a lanterna e conversar comigo enquanto eu me transformo em demônio. Só isso.

Abaixo, o teaser do Projeto Achados & Perdidos, onde há trechos da nossa Obra Cênica (espetáculo):



Temos também uma Fã Page com uma infinidade de fotos das nossas ações. E um perfil no instagram @projetoachadoseperdidos. Há mais informações sobre o nosso processo no menu deste blog, além de uma série de matérias, depoimentos e críticas das nossas obras.

Danilo.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Cenas Esquecidas no Cuca Che Guevara



Nesse processo, muita coisa se ganhou, muita coisa se perdeu. Até que uma obra fique pronta, diversas coisas são descartadas ou continuam vivas de outras formas, como memória de um processo, reverberando naquilo que ficou em cena. Neste sábado 05/04, é hora de rememorar as "Cenas Esquecidas" do Projeto Achados & Perdidos no Cuca Che Guevara. Andrei Bessa, Keka Abrantes e Edivaldo Batista apresentarão novas cenas do processo.

Serviço

O que: Projeto Achados & Perdidos - Cenas Esquecidas
Quando: dia 5/04 às 19h
Onde: Cuca Che Guevara (Avenida Presidente Castelo Branco, 6417 - Barra do Ceará, Fortaleza - CE)
Entrada Franca

Semana Sesc de Artes Cênicas em reta final com mais três espetáculos (Jornal O Povo)

Com programação gratuita até a próxima segunda-feira (31), a Semana Sesc de Artes Cênicas - Fortaleza segue hoje, às 9h30min, no Mercado São Sebastião (Centro), com a apresentação do espetáculo circense Manic Freak, da Argentina.

Nacho Rey é o artista por trás do personagem que dá nome ao espetáculo. “Um sujeito dinâmico, carismático e cômico, movido pelo constante desejo de romper as estruturas dos espetáculos tradicionais”, Manic Freak diverte o público com diversos números de equilibrismo, acrobacias e malabarismo, sendo alguns impressionantes e arriscados.

No Sesc-Senac Iracema (Praia de Iracema), às 20 horas de hoje e amanhã, será a vez de conferir Andrei Bessa, Edivaldo Batista, Danilo Castro e Keka Abrantes em cena com o Projeto Achados & Perdidos. Em diálogo com o audiovisual, performances e instalações emaranhadas entre memórias que vão e vem, a obra cênica - que recentemente passou por Curitiba - é baseada em fatos reais. Para cada sessão, a capacidade será de apenas 60 pessoas.

Já dentro da mostra Circuito do Riso, o cearense Mário Filho (Cia. Pã de Teatro) irá apresentar amanhã, às 9h30min, no Mercado São Sebastião (Centro). malabares, mágicas e muita interação com o público é o que promete a apresentação, que presta uma homenagem à experimentação dos tradicionais encontros de artistas e palhaços com o público, em espaços alternativos.

Para segunda-feira, no último dia de Semana Sesc de Artes Cênicas - Fortaleza, os espetáculos em destaque serão O Vestido, com Sol Moufer (às 9h30min, no Mercado São Sebastião) e Chafurdo, da banda Dona Zefinha (às 18 horas, na Área de Convivência do Sesc-Fortaleza). Além disso, homenagem a Rosemberg Cariry e show musical com Cris Fiúza.

SERVIÇO

Semana Sesc de Artes Cênicas - Fortaleza

Quando: hoje e amanhã, sempre a partir das 9h30.Onde: Mercado São Sebastião (rua Clarindo de Queiroz, 1745 - Centro) e Sesc-Senac Iracema (rua Boris, 90 - P. de Iracema). 
Outras info: 3452 9090 /