quarta-feira, 26 de novembro de 2014

carta 1/pessoa 1

eu não queria que ela fosse 
mas ela foi 
o que eu poderia fazer? 
segurar nos braços dela e obrigar que ficasse do meu lado? 
ficando do meu lado ela poderia ser muito infeliz
eu não suportaria isso 
amor? 
não sei falar sobre isso 
sei falar do " gostar" 
dela eu gosto por uma vida toda 
o gostar é mais democratico 
eu posso gostar e sentir raiva dela ou não aceitar certas coisas que ela faça 
se eu aceitei? 
humm.. 
aceitei
aceitei porque gostava 
sim. ainda gosto
cadê ela? 
ela disse que começou a gostar de outro homem 
e que ia embora com ele
maranhão 
o que eu sinto agora? 
não sei. é recente. talvez eu sinta raiva dela. 
mas talvez eu sinta mesmo é falta
a gente gente falta de quem gosta né 


quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Projeto Achados & Perdidos no Teatro Carlos Câmara


Ele morreu em 1939. Após 35 anos, um teatro foi erguido em sua homenagem. 20 anos depois, o espaço fechou as portas numa lacuna que durou mais 20 anos. Em 2014, o Projeto Achados & Perdidos faz parte da programação que está reativando o Teatro Carlos Câmara, em Fortaleza. Essa memória agora também é nossa.

Serviço


31/10 - Projeto Achados & Perdidos, 18n30min
Teatro Carlos Câmara (Rua Senador Pompeu, 454, Fortaleza - CE)
Entrada franca. 

domingo, 21 de setembro de 2014

Para pensar uma dramaturgia do Eu, por Maurileni Moreira


Por Maurileni Moreira

O Projeto Achados e Perdidos – coletivo composto por Andrei Bessa, Danilo Castro, Edivaldo Batista e Keka Abrantes – delineia-se numa dramaturgia processual movida a memórias. Lá tudo está milimetricamente organizado para uma eventual exposição de lembranças. Há brinquedos, folhas riscadas de uma carta entregue, bonecos como o Fofão e até aquele brinquedinho de pescaria da infância, aquele de pescar peixinhos que ficam rodando numa maquinaria verde. E você com a varinha de plástico na mão: lá, pescando paciência por um tempo que segue seu fluxo.

Não há como não ter identificações. Nem metáforas. Minutos prévios ao espetáculo iniciar dava para ouvir o público falar: ‘eu morria de medo do Fofão’ ou ‘Lá na minha vó tinha uma santa que nem essa’ ou ‘Aquelas fotos antigas me lembram pessoas mortas.’ O público estava colocado em duas fileiras, uma defronte à outra. Duas arquibancadas. No meio o espaço cênico. Instantaneamente a ideia de espelho, reflexo, surge.  Vê-se no outro e no estar ali, nesse lugar, que a experiência é conjunta, um fazer que diz muito de uma vida. Há uma necessidade humana de que nossas construções não se percam e que, se se perderem,  tornem-se pelo menos memorial do fim. O espetáculo que esteve em cartaz nos dias 6 e 7 de Setembro no Teatro do Sesc Iracema em Fortaleza traz em sua poética um resgate da memória e exposição do eu.

As cenas construídas estão em jogo constante: desde a escolha malograda de uma mãe que deu um nome excêntrico à filha, até a cena em que todos emudecem e os atores se tornam corpos-objetos em imagens que lembram abuso sexual. Agora o espaço já está num caos estabelecido. Eles sussurram: “Isso é um segredo nosso”.

As cenas levantadas são varias, chegam a passar por memorias de um suicida ate a uma sequência coreográfica ‘decorada’ e dançada de uma música da banda Spice Girls. Sem falar da cena que ‘alivia’ a alma, com Edivaldo Batista. Ele quer ser uma santa, mas seus olhos não se compadecem à santidade obrigatória, porque, em suma, todos têm sofrimentos e condolências  – o estado do corpo que fere e é abatido. Corremos sempre em busca de uma salvação, não necessariamente divina, dessas cotidianas, quando enfrentamos e empunhamos guerras e milagres.

Viver em uma cidade desmemoriada poderia ser o nosso maior pecado. Pecado aqui quer dizer: as pedras nas quais tropeçamos. Drummond já escrevia: Tinha uma pedra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma pedra.

A atuação busca confundir o real. As histórias contadas indagam a esta pergunta: será de fato historias deles (dos atores) ou eles estão interpretando? Como trabalhar a realidade nesse jogo de quase um faz-de-conta? A confusão parte porque não é possível saber aonde existe a personagem e aonde existe o ator. Vale pensar também: Há personagens? Talvez não, mas há a fabricação de uma dramaturgia que se coloca no âmbito do particular e alça voos para o geral. Nesse sentido pode-se compreender uma construção das relações no espaço dramático (tensões, conflitos, enlace).

Vemos como é possível interpretar a si mesmo, não no sentido de uma fabulação, mas como dar a si um potencial dramático a partir das histórias, sem que se perca o que costumamos chamar de Trabalho de Ator –  aquele que busca novas maneiras de falar, trejeitos físicos, mundos particulares seus que vai ao encontro do desafio, que exige do ator que ele mergulhe na construção do personagem.

“Um fluxo constante de espontaneidade é a única maneira de se manter o frescor de um papel, e de se assegurar sua constante evolução.  Na ausência desta qualidade, a força de qualquer papel entrará em declínio de algumas representações. ( … ) O imprevisto costuma ser uma poderosa alavanca evolução todo o trabalho criador. ” ( Manual do ator, C. Stanilavski. Martins Fontes.  Pg 80)

Talvez fosse interessante ver o ator em seu estado ‘normal’ enquanto pessoa na cena e seu estado interpretativo para que pudéssemos ter em mente duas imagens criadas, que iriam se distinguir entre si aos nossos olhos, posto que nos indagamos: Aonde encontramos a linha tênue da interpretação? Esses questionamentos são necessário ou devemos nos deter tão somente a ver o particular em cena, contribuindo para um deslocamento micro→macro, referente às atuações pessoais?

O Projeto Achados e Perdidos cumpre o jogo da re-descoberta; o processo de imersão e aprofundamento de si que resvala no Outro. Uma violência ao corpo, perfurando o tecido fino das nossas experiências: a pele. Vídeo, instalações, performances e jogo. Muitos jogos. Um projeto que chega como um convite a si mesmo.

(Ralph agora embaralha as palavras digitadas e desliga o computador.)

Fonte: Cena Coletiva

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Projeto Achados & Perdidos de volta ao Teatro Sesc Iracema em setembro


Em 730 dias, uma velha morreu, uma criança foi molestada, uma carta de suicídio foi escrita, um casamento quase aconteceu, um carro capotou, um nome de batismo traumático foi desenterrado, um filho declarou seu amor ao pai distante, meninos dançaram Spice Girls, um homem perdeu o medo de dizer que amava homens, peles foram riscadas com tinta permanente, alguém gritou de súbito durante uma apresentação, hematomas surgiram - sangraram em público, mas desapareceram no tempo de uma flor.

O que se ganhou e o que se perdeu em dois anos de Projeto Achados & Perdidos? Por que estamos fazendo tudo isso? Onde queremos chegar? Ainda não sabemos, mas continuamos juntos para nova temporada do projeto dias 6 e 7 de setembro, às 20h, no Teatro Sesc Iracema. Continuamos recebendo doações de “objetos-memória” para se somarem à nossa “tralha afetiva” e fazerem parte da instalação “Pedaços de Todos Nós”, que compõe a cenografia da obra.

O Projeto Achados & Perdidos é baseado em fatos reais. Uma obra aberta, com dramaturgia processual, que dialoga com obras audiovisuais, performances e instalações emaranhadas entre memórias que vão e vem. Encabeçado pelos artistas Andrei Bessa, Danilo Castro, Edivaldo Batista e Keka Abrantes, o processo iniciou em 2012 e já passou por festivais como Mostra Sesc Cariri de Culturas, XI Festival de Teatro de Fortaleza, Conexão Teatro Fortaleza-Porto Alegre, Circuito Alternativo de Teatro, dentre outros.

Assista pedaços daquilo que somos:



Serviço

Projeto Achados & Perdidos, 20h
Quando: Dias 6 e 7 de setembro, às 20h.
Onde: Teatro Sesc Senac Iracema (Rua Boris, 90c - Praia de Iracema - Fortaleza - CE)
Quanto: R$ 6 e R$ 12.
Informações: www.projetoachadoseperdidos.blogspot.com ou (85) 99183535

terça-feira, 1 de julho de 2014

Onde queremos chegar?

Em 730 dias, uma velha morreu, uma criança foi molestada, uma carta de suicídio foi escrita, um casamento quase aconteceu, um carro capotou, um nome de batismo traumático foi desenterrado, um filho declarou seu amor ao pai distante, meninos dançaram Spice Girls, um homem perdeu o medo de dizer que amava homens, peles foram riscadas com tinta permanente, alguém gritou de súbito durante uma apresentação, hematomas surgiram - sangraram em público, mas desapareceram no tempo de uma flor. O que se ganhou e o que se perdeu em dois anos de Projeto Achados & Perdidos? Por que estamos fazendo tudo isso? Onde queremos chegar?

Assista pedaços daquilo que somos:

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Um post para o Home Theatre, por Danilo Castro


Em meados de 2012 eu entrei num processo artístico meio doido onde os atores tinham que construir cenas a partir de suas intimidades. Pensei que esse negócio de "biodrama" tava meio na moda, mas na época eu não me interessei no projeto por causa disso. Acho que eu tava um pouco frustrado com meus últimos trabalhos cênicos e queria viver algo mais visceral, sujo, orgânico, incerto, menos codificado, elaborado ou refinado.


Daí topei entrar no projeto e, durante os encontros, fiz cenas sobre meus pais, alguns causos que me marcaram e algumas outras reminiscências bestas. Até que um dos atores disse que estávamos sem graça nesse processo. Que precisávamos cutucar nossas dores pra alimentar nossa criação. Que precisávamos morrer a cada exercício e renascer fortalecido. Aí engoli seco e dias depois resolvi contar - através da encenação de um conto que não conta - sobre o dia em que o demônio esfomeado que latejava em mim não se conteve sob a pele. Foi a primeira vez que falei dele e do dia em que comi como se fosse o último dia possível de se comer na terra.


Aí nasceu a cena "Domingo”, a partir do conto homônimo, que virou uma Cena Esquecida dentro do Projeto Achados & Perdidos e acabou nem entrando no espetáculo, mas nos alimentou como um achado dentro do nosso intercâmbio de memórias. Eu apresentei essa cena três vezes. Uma vez para meus companheiros de barco, outra vez num evento chamado “Pequenos Trabalhos Não São Trabalhos Pequenos”, do grupo cearense Teatro Máquina, e, por último, na casa do assistente social Pedro Vicente.


Ele é um cara que a gente não conhecia e se inscreveu na nossa Fã Page para apresentarmos cenas na casa dele a partir de um edital que lançamos. Nesse dia nasceu o Achados & Perdidos Por Aí... A ideia foi transformar uma casa em um espaço cultural alternativo, contestar a carência de pautas e centros culturais na cidade e, ao mesmo tempo, nos embebedar com novas experiências e memórias que a própria casa e o Pedro Vicente carregavam consigo. O resultado foi uma experiência linda no quintal, no quarto, na sala, na varanda.... Foi tudo muito enriquecedor pra nossa pesquisa, por isso creio que a gente tanto dialoga com o Festival Home Theatre. Veja algumas fotos.

A seguir, um trecho da cena registrado por Luciana Gomes, da Oxe Produções.


Pra fazer o Domingo acontecer não precisa ser domingo. Basta um prato, uma faca, alguns legumes e alguém que tope manusear a lanterna e conversar comigo enquanto eu me transformo em demônio. Só isso.

Abaixo, o teaser do Projeto Achados & Perdidos, onde há trechos da nossa Obra Cênica (espetáculo):



Temos também uma Fã Page com uma infinidade de fotos das nossas ações. E um perfil no instagram @projetoachadoseperdidos. Há mais informações sobre o nosso processo no menu deste blog, além de uma série de matérias, depoimentos e críticas das nossas obras.

Danilo.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Cenas Esquecidas no Cuca Che Guevara



Nesse processo, muita coisa se ganhou, muita coisa se perdeu. Até que uma obra fique pronta, diversas coisas são descartadas ou continuam vivas de outras formas, como memória de um processo, reverberando naquilo que ficou em cena. Neste sábado 05/04, é hora de rememorar as "Cenas Esquecidas" do Projeto Achados & Perdidos no Cuca Che Guevara. Andrei Bessa, Keka Abrantes e Edivaldo Batista apresentarão novas cenas do processo.

Serviço

O que: Projeto Achados & Perdidos - Cenas Esquecidas
Quando: dia 5/04 às 19h
Onde: Cuca Che Guevara (Avenida Presidente Castelo Branco, 6417 - Barra do Ceará, Fortaleza - CE)
Entrada Franca

Semana Sesc de Artes Cênicas em reta final com mais três espetáculos (Jornal O Povo)

Com programação gratuita até a próxima segunda-feira (31), a Semana Sesc de Artes Cênicas - Fortaleza segue hoje, às 9h30min, no Mercado São Sebastião (Centro), com a apresentação do espetáculo circense Manic Freak, da Argentina.

Nacho Rey é o artista por trás do personagem que dá nome ao espetáculo. “Um sujeito dinâmico, carismático e cômico, movido pelo constante desejo de romper as estruturas dos espetáculos tradicionais”, Manic Freak diverte o público com diversos números de equilibrismo, acrobacias e malabarismo, sendo alguns impressionantes e arriscados.

No Sesc-Senac Iracema (Praia de Iracema), às 20 horas de hoje e amanhã, será a vez de conferir Andrei Bessa, Edivaldo Batista, Danilo Castro e Keka Abrantes em cena com o Projeto Achados & Perdidos. Em diálogo com o audiovisual, performances e instalações emaranhadas entre memórias que vão e vem, a obra cênica - que recentemente passou por Curitiba - é baseada em fatos reais. Para cada sessão, a capacidade será de apenas 60 pessoas.

Já dentro da mostra Circuito do Riso, o cearense Mário Filho (Cia. Pã de Teatro) irá apresentar amanhã, às 9h30min, no Mercado São Sebastião (Centro). malabares, mágicas e muita interação com o público é o que promete a apresentação, que presta uma homenagem à experimentação dos tradicionais encontros de artistas e palhaços com o público, em espaços alternativos.

Para segunda-feira, no último dia de Semana Sesc de Artes Cênicas - Fortaleza, os espetáculos em destaque serão O Vestido, com Sol Moufer (às 9h30min, no Mercado São Sebastião) e Chafurdo, da banda Dona Zefinha (às 18 horas, na Área de Convivência do Sesc-Fortaleza). Além disso, homenagem a Rosemberg Cariry e show musical com Cris Fiúza.

SERVIÇO

Semana Sesc de Artes Cênicas - Fortaleza

Quando: hoje e amanhã, sempre a partir das 9h30.Onde: Mercado São Sebastião (rua Clarindo de Queiroz, 1745 - Centro) e Sesc-Senac Iracema (rua Boris, 90 - P. de Iracema). 
Outras info: 3452 9090 /


segunda-feira, 31 de março de 2014

Achados & Perdidos é puro jogo de ator, por Thiago Arrais

Foto de Andrei Bessa
"Projeto Achados & Perdidos é puro jogo de ator. E que não pensem que não se trata de um espetáculo de teatro, porque é (e dos bons, justamente por isso). Achados & Perdidos é puro jogo de ator. E que não pensem que não tem direção, porque sem ela o espetáculo não existiria. Achados & Perdidos é puro jogo de ator. E que não pensem que não nos diz respeito, porque diz, e diz o que importa ser dito. E por ter a força do ator tem a força do mundo, que é o espaço que lhe cabe. Quem não viu, devia ver".

Thiago Arrais, diretor de teatro.


quinta-feira, 27 de março de 2014

Memórias Achadas e Perdidas em obra cênica (Culturando - Sesc/Jornal O Povo)


Por Jardeline Santos

O que te faz recordar momentos com alegria e entusiasmo, e quais lembranças da infância você prefere esquecer? Talvez em objetos, brinquedos, músicas, roupas e até nomes, por exemplo, é onde nos reencontramos com nossas memórias esquecidas.

A obra cênica “Projeto Achados & Perdidos” proporciona esse encontro com as memórias, a partir de elementos do cenário e de um enredo cheio de reminiscências dos próprios atores - misturadas às histórias contadas pelo público nos bastidores. Sonhos, amores, traumas, medos, religiosidade e morte são abordados em cena pelos atores Danilo Castro, Edivaldo Batista e Keka Abrantes, com orientação cênica de Andrei Bessa.

No palco, os personagens se misturam, de forma intensa, a ponto de não ficar aparente a quem realmente pertence cada história contada e vivenciada. A atriz Keka Abrantes explica que a ideia inicial do Projeto era trabalhar com memórias de outras pessoas – adquiridas de forma colaborativa, através da internet, por exemplo. “A princípio, pensamos em meios para colher histórias de outras pessoas, mas com o processo de composição da dramaturgia percebemos que tínhamos grandes histórias, assim como as pessoas que nos rodeiam”, contextualiza.

A intrigante composição do cenário, repleto de objetos antigos e até raros, é resultado de uma construção ao longo do processo e das apresentações. “No início pedíamos para o público levar uma memória, e aí as pessoas levavam esse objeto para compor o cenário, mas a gente levou muita coisa nossa também”, pontua.

O “Projeto Achados & Perdidos” compõe a programação da Semana Sesc de Artes Cênicas de Fortaleza, que acontece de 26 a 31 de março. A obra cênica é apresentada nos dias 29 e 30/3, às 20h, no Teatro Sesc Senac Iracema. A entrada é gratuita, com 60 vagas para cada dia. Os interessados devem chegar cedo para garantir um lugar na plateia. A bilheteria estará aberta a partir das 18h.

A programação completa da Semana Sesc de Artes Cênicas de Fortaleza está disponível no site www.sesc-ce.com.br. Mais informações: (85) 3452.9090.

Fonte: Coluna Culturando - Sesc/Jornal O Povo (20/03/2014)

terça-feira, 25 de março de 2014

O cênico em destaque (Jornal Diário do Nordeste)

Projeto Achados & Perdidos
integra a programação da Semana Sesc de
Artes Cënicas, já em sua 14ª edição

Foto: Levy Mota
Teatro, música, circo: ainda que as essências artísticas sejam bastante distintas, cada forma de expressão carrega e utiliza a presença do palco para sensibilizar, emocionar, atingir. Percebendo essa força mobilizadora, a 14ª Semana Sesc de Artes Cênicas de Fortaleza reinventa um pedaço próprio e amplia seu alcance, passando a ofertar programação não só de teatro, mas de outras linguagens, além de oficinas formativas para artistas.

Entre os dias 26 e 31 de março, a Capital será povoada e permeada por espetáculos em diferentes formatos e temáticas, do palco italiano à arena, do teatro de rua ao circo, com apresentações voltadas para os públicos adulto e infantil.

Os artistas convidados vão dos grupos conhecidos e de residência fixa no Ceará a "hermanos extranjeros", vindos da Argentina. As apresentações acontecem no Teatro Sesc Emiliano Queiroz, Teatro Sesc Senac Iracema, Área de Convivência da Unidade Fortaleza e Mercado São Sebastião, gratuitamente.

Alguns dos espetáculos teatrais já são conhecidos da plateia local, como "Achados & Perdidos", do coletivo Casulo, em cartaz nos dias 29 e 30 no Teatro Sesc Senac Iracema às 20h. Em constantes temporadas desde 2013, a apresentação é um convite à avenida da saudade, às memórias esquecidas e também às constantemente lembradas, numa obra aberta de roteiro fluido que permite o contato, a troca e a sinestesia entre atores e público.

Outra peça familiar, nos dois sentidos da palavra, é "Interior" do Grupo Bagaceira de Teatro. Em cartaz no Teatro Sesc Senac Iracema às 20h do dia 26, o espetáculo traz a poesia da velhice concretizada na figura de duas senhoras a conversar, como as figuras tão comuns nas calçadas do interior a dentro e a fora. Tal qual máquina do tempo, a obra leva o espectador a outro momento pautado em recordações de um mundo menos vil, permeado pela nostalgia das cadeiras de balanço e causos de vó.

A Argentina é mãe de duas contribuições circenses à Semana: "Latin Duo", às 16h na Área de Convivência da Unidade Fortaleza do Sesc, no dia 28, e "Manic Freak", do Circo Cambalache, no dia seguinte às 9h30, no Mercado São Sebastião. Esse último caracteriza-se pelas proezas do personagem principal nas estruturas tradicionais do circo, como o malabarismo, a acrobacia e o equilibrismo, no rompimento das fronteiras entre plateia e picadeiro.

Comemorações

Interior, do Grupo Bagaceira de Teatro
O evento aproveita o timing para celebrar duas datas importantes para o cenário cultural: o Dia Mundial do Teatro e o Dia do Circo, ambos comemorados em 27 de março. Para esse dia, estão agendadas a instalação "Desistência Poética", do Grupo Fuzuê (CE), no Mercado São Sebastião a partir das 9h30 e o espetáculo "Encanta o meu Jardim" com Rosa Primo (CE), no Teatro Emiliano Queiroz às 20h.

Para marcar o encerramento, a organização prepara um tributo ao cineasta cearense Rosemberg Cariry no dia 31, de forma a reconhecer sua contribuição para a sétima arte e também aproximar outras linhas de expressão artística do evento.

"Pela sua trajetória, a Semana era mais voltada às artes cênicas, como teatro, circo e dança. Há pouco tempo fomos inserindo outras linguagens, como performance e intervenção. A homenagem vai ser o primeiro passo para uma Semana de Artes Integradas", explica o técnico de cultura do Sesc, Felipe Sales. O formato ainda está sendo decidido, mas as propostas principais são a exibição do filme mais recente de Cariry, "Os Pobres Diabos", ou um bate-papo com mediador especializado.

No último dia da programação, a Semana traz os shows da banda Dona Zefinha e Cris Fiúza. O evento também acontece nas unidades do Sesc de Sobral (21 a 29 de março) e do Crato (26 a 30 de março).

Mais informações

Semana Sesc de Artes Cênicas - Fortaleza.
De 26 a 31 de março.
Entrada gratuita.
Contato: (88) 3452.9090

Fonte: Caderno 3 (Diário do Nordeste 25/03/2014)

segunda-feira, 24 de março de 2014

Poa recebe criações inquietantes de Fortaleza (Jornal do Comércio/Teatro Jornal)

A atriz Keka Abrantes no 'Projeto Achados & Perdidos'
Por Michele Rolim

Quando o ator e diretor cearense Silvero Pereira desembarcou em Porto Alegre, em janeiro de 2013, não sabia ao certo quais proporções tomaria o intercâmbio artístico que objetivava na cidade. Durante seis meses, Silvero pesquisou e conversou com travestis, transformistas e transexuais pelas ruas e casas de show da cidade. O levantamento deste material, ao lado dos relatos colhidos sobre este universo em Fortaleza (CE), resultou no espetáculo BR-Trans, sob direção da diretora gaúcha Jezebel De Carli (da Santa Estação Cia de Teatro).

Cerca de um ano depois, surge a primeira edição do Festival Conexão Teatro Fortaleza-Porto Alegre. Mesmo sem financiamentos, artistas de três coletivos encabeçaram a realização do festival de teatro independente, quebrando fronteiras geográficas em busca de estabelecer relação com novos públicos. “A distância existe apenas nas nossas cabeças. Queríamos poder circular de forma mais independente, sem ter que precisar de editais, patrocínios, etc.”, conta o ator Pereira, que também apresenta BR-Trans, do Coletivo As Travestidas, na mostra oficial do Festival de Teatro de Curitiba deste ano.

O performer Silvero Pereira em ‘BR-Trans’
Um dos trabalhos artísticos, Projeto achados & perdidos tem apresentações de sexta-feira a domingo, no Teatro de Arena, às 20h. O espetáculo BR-Trans é encenado de terça a quinta-feira, no mesmo local e horário. Já Metrópole tem sessões somente na próxima sexta-feira, no Museu do Trabalho, às 19h e às 22h.

As três produções são realizadas por artistas egressos da graduação de Artes Cênicas do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE). Essas obras se destacam por refletirem sobre um tema frequente nas encenações contemporâneas que inquietam e provocam espectadores: a linha tênue que separa realidade e ficção. “Não é à toa que a memória é um tema tão celebrado na criação artística. Temos a necessidade de criarmos mais referência de nós mesmos. Estamos vivendo uma época em que o interesse e as possibilidades de registro, devido à tecnologia, são cada vez maiores”, opina Gyl Giffony.

Pereira e Giffony em “Metrópole’, de Rafael Barbosa
Giffony é diretor e também atua ao lado de Silvero Pereira em Metrópole, da Inquieta Cia. de Teatros. De autoria de Rafael Barbosa, a dramaturgia do espetáculo foi construída a partir de questionários com os atores, com perguntas sobre literatura, cinema e teatro, além de referências pessoais. “É um texto feito a partir de uma escuta”, explica Giffony.

Já no Projeto Achados & Perdidos, quatro artistas transformam memórias em uma obra cênica, tendo como suporte uma instalação e a performance. “Começamos a nos questionar por que é necessário encenar a história de um grande autor para estar no teatro. E tomamos coragem para nos desnudar em cena”, comenta um dos atores, Danilo Castro – que integra o projeto com Andrei Bessa, Edivaldo Batista e Keka Abrantes.

Castro explica que, com o passar do tempo, eles se deram conta de que também poderiam se apropriar das memórias do público. Para isso, a plateia é convidada a doar objetos que fazem parte da sua história pessoal, chamados pelo coletivo de “tralhas afetivas” ou “pedaços de todos nós”. Todo esse material passa a alimentar o espetáculo, desenvolvido em processos colaborativos. “A ideia é que, com esses três trabalhos, possamos criar laços com a cena de Porto Alegre. Para, quem sabe, ampliarmos o festival no próximo ano”, avalia o ator. O teatro agradece.

Serviço:

Festival Conexão Teatro Fortaleza-Porto Alegre
Onde: Teatro de Arena (Borges de Medeiros, 835) e no Teatro do Museu do Trabalho (Andradas, 230).
Quando: 21 a 28/3
Quanto: R$ 20

.:. Publicado originalmente no Jornal do Comércio, caderno Viver, p. 3, em 21/3/2014.
.:. Leia textos de Valmir Santos sobre o Projeto Achados & Perdidos, aqui, e sobre Metrópole, aqui.

Fonte: Teatro Jornal

quinta-feira, 20 de março de 2014

Festival Conexão Teatro For-Poa no programa Estação Cultura, da TVE

Na tarde de ontem (09/03), Silvero Pereira e Andrei Bessa participaram do programa Estação Cultura, da TVE, de Porto Alegre. Os artistas foram entrevistados por Newton Silva sobre o Festival Conexão Teatro Fortaleza-Porto Alegre, que acontece de 21 a 28 de março no Teatro de Arena e no Teatro do Museu do Trabalho.

Pra quem não assistiu, é só clicar no link abaixo!



O quê: Conexão Teatro Fortaleza-Porto Alegre
Quando: Dias 21 a 28 de março
Onde: Teatro de Arena (Av Borges de Medeiros, 835 - dias 21 a 27, 20h) e Teatro do Museu do Trabalho (Rua dos Andradas, 230 - dia 28, 19h e 22h)
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)
www.conexaoteatro.wix.com/for-poa

quarta-feira, 19 de março de 2014

Narrativas poéticas - INDEPENDENTES (Jornal O Povo)


Um festival que acontece à margem dos patrocínios - públicos ou privados. Esse é o espírito do Conexão Teatro Fortaleza-Porto Alegre, organizado pelo Projeto Achados & Perdidos, pela Inquieta Cia de Teatros e pelo coletivo As Travestidas; e que será realizado em Porto Alegre entre os dias 21 e 28 de março. “Mesmo que aconteça por enquanto somente por lá, acho importante a iniciativa de realizarmos um festival que enaltece a produção cênica fortalezense na outra ponta do país”, explica o jornalista e ator Danilo Castro, que integra o projeto Achados & Perdidos. Segundo Danilo, o festival é resultado “dos nossos anseios de poder circular com nossos trabalhos e de fazer essa possibilidade acontecer sem necessariamente precisarmos de financiamento público ou privado”. “A partir de parcerias e de muito esforço, estamos conseguindo tocar essa ideia”, reforça. Mais informações sobre a mostra no site
http://conexaoteatro.wix.com/for-poa.p

Fonte: Coluna Verticarte - Jornal O Povo (19/03/2014)


quarta-feira, 12 de março de 2014

Projeto Achados & Perdidos na Semana Sesc de Artes Cênicas 2014

Foto de Jr. Panela

O Projeto Achados & Perdidos agora é parte da programação da Semana Sesc de Artes Cênicas 2014, em Fortaleza. As apresentações vão acontecer dias 29 e 30 de março, no Teatro Sesc Senac Iracema, às 20h. A Semana Sesc de Artes Cênicas presta homenagem ao Dia Mundial do Teatro, comemorado no dia 27 de março. Além disso, a Semana homenageia o aniversário do Teatro SESC Emiliano Queiroz, que completa 14 anos no próximo dia 31. Em Fortaleza a programação tem início no dia 24/3 e no interior do Estado as atividades iniciam no dia 22/3.

O Projeto Achados & Perdidos continua arrecadando do público objetos-memória para agregarem-se à tralha afetiva que faz parte da instalação "Pedaços de Todos Nós" e das nossas apresentações. Pode ser um brinquedo, uma carta, uma foto, um disco ou qualquer objeto que nos conte uma história. 

Serviço

O quê: Projeto Achados & Perdidos
Quando: Dias 29 e 30 de março às 20h.
Onde: Teatro Sesc Senac Iracema (Rua Boris, 90c, Praia de Iracema - Fortaleza)
Programação gratuita.
Informações: (85) 9918 3535.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Fortaleza x Porto Alegre: cenas teatrais em conexão

BR Trans. Foto de Sérgio Magalhães
Porto Alegre vai se encontrar mais uma vez com o teatro de Fortaleza. Os trabalhos artísticos do Projeto Achados & Perdidos, e os espetáculos BR Trans e Metrópole se engendram à capital gaúcha no Festival Conexão Teatro Fortaleza-Porto Alegre, que acontece de 21 a 27 de março no Teatro de Arena, às 20h, e dia 28 no Museu do Trabalho, às 19h e 22h.

Tudo começou no início de 2013, quando o ator cearense Silvero Pereira foi dirigido pela gaúcha Jezebel De Carli no projeto BR Trans, contemplado pela Funarte. A obra foi construída a partir das histórias de vida de travestis do Ceará e do Rio Grande do Sul. A partir daí a conexão ficou aberta para apresentação do repertório do coletivo cearense As Travestidas, que aconteceu em outubro do ano passado, na Usina do Gasômetro.

Projeto Achados & Perdidos. Foto de Levy Mota

Dessa vez, o Coletivo As Travestidas se une aos artistas do Projeto Achados & Perdidos e da Inquieta Cia. de Teatros, que apresentam seus espetáculos evidenciando a produção cênica cearense contemporânea. Mesmo sem financiamentos, os artistas encabeçaram a realização do festival de teatro independente na outra ponta do País, quebrando fronteiras geográficas na busca de estabelecer relação com novos públicos.

Os três trabalhos trazem o tema da memória, particular e coletiva, como um dos motes de suas pesquisas. As obras se redesenham em dramaturgias que extrapolam o texto, evidenciam pluralidade cênica/estética e fogem dos moldes tradicionais das artes cênicas, questionando o paradigma do próprio teatro. Características presentes na dramaturgia metalinguística de Rafael Barbosa (Metrópole), nas confissões de Silvero (BR Trans) ou na dramaturgia processual e biográfica do Projeto Achados & Perdidos.

Espetáculo Metrópole.


Serviço

O quê: Conexão Teatro Fortaleza-Porto Alegre
Quando: Dias 21 a 28 de março
Onde: Teatro de Arena (Av Borges de Medeiros, 835 - dias 21 a 27, 20h) e Teatro do Museu do Trabalho (Rua dos Andradas, 230 - dia 28, 19h e 22h)
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)
Informações gerais: (51) 8144-1748

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Projeto Achados & Perdidos rumo à Porto Alegre

Fotopinturas do Mestre Julio Santos

De quem são esses rostos? Como a memória de um reverbera no outro? Quem os construiu? Quais as suas dores? Em breve, Porto Alegre vai ser mais um espaço de experiências do Projeto Achados & Perdidos.