terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Casulo monta inventário afetivo de bricabraque, por Valmir Santos


Keka Abrantes. Foto de David Cadeira
Misturas factuais e ficcionais embasam algumas das experiências mais inquietantes da cena contemporânea. Um teatro do ‘eu’ vem a público para estilhaçar o cada um por si e suscitar individuações. O recém-criado Coletivo Casulo, com egressos da graduação de artes cênicas do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará, o IFCE, recolhe feridas e cicatrizes biográficas para convertê-las em arte. Nada de novo nesse procedimento, mas como não atirar-se ao divã em público? Achados & perdidos escolhe a performance e a instalação como suportes de um inventário afetivo.

Colaboradores em outros núcleos da cidade, Andrei Bessa (propositor), Danilo Castro, Edivaldo Batista e Keka Abrantes (atuadores) puxam suas memórias reinventadas por meio de objetos alinhados no chão, um bricabraque. Fazem do espaço cênico os cômodos e o quintal da casa imaginária em que o espectador é convidado a pisar e ocupar em colchonetes ou em plateia bifrontal.

Na paisagem, tonalidades multicoloridas para lembranças desbotadas como as fotos nas paredes.

Transcorrem cenas e ações desconexas em que o trio sempre finca a bandeira da presença, seu fio de Ariadne, desviando da representação propriamente dita. Joga-se com os figurinos, a movimentação coreográfica, a interação direta com o público, as projeções, as sombras, a música incidental e demais recursos, muitas vezes combinados, que sugerem atmosferas a cada narrativa.

Edivaldo Batista (esq.), domínios técnico e poético. Foto de David Cadeira
Identificamos temas hegemônicos como perda, abandono e desilusão. Estas desde a infância, como o menino que sonha ser a santa devotada por unanimidade e a adolescente que aguenta a amolação dos colegas em torno de seu nome raro de batismo. Constam ainda temas aflitivos que envolvem gente grande, como o abuso sexual e o suicídio em família.

A dramaturgia funciona como uma sucessão de quadros que envolvem tanto o peso da palavra como alusões sensoriais. Sentado no chão, parte do público pode tocar as antiguidades ordenadas nas bordas do corredor cênico. O arranjo meticuloso dos brinquedos, documentos e imagens religiosas, cenário que depois é sacudido, contrasta a costura solta das histórias curtas. Por vezes a transição entre uma e outra é abrupta, ao contrário do fluxo suave das plasticidades e sonoridades mesmo quando os conteúdos são mais densos.

Independente dos desníveis do texto, é na dramaturgia física, o estado de improviso que o Casulo transforma sua criação num achado. O trio passa o tempo todo em cena, pactuando a relação de confiança do olhar, do gesto e do compromisso com o destino que os uniu.

A partilha das intimidades embaralhadas não resvala em psicologismos. O clássico apego/desapego de um cão, por exemplo, encontra uma tradução lapidar no revezamento das partituras, sonidos e travessuras do animal que causa um pequeno terremoto na arena. As figuras do pet e de seu dono triangulam pelos corpos e vozes com a convicção da teatralidade nos mínimos detalhes. Nesse ponto, Edivaldo Batista, a quem assistimos nas produções recentes do Teatro Máquina, aporta com técnica e poética singulares.

Danilo Castro, cumplicidade com os pares. Foto de David Cadeira

Nesse que é possivelmente seu primeiro trabalho, o coletivo convence pela personalidade e ousadia ao optar por formas e espaços não convencionais. Reflete maturidade ao evocar seus fantasmas e elaborá-los com convicção artística. A sessão a que assistimos foi tomada por emoção adicional porque um dos criadores, Castro, parte para temporada de estudos em outra capital e seus pares enfrentam mais um corte umbilical. Autoficção na veia.

O empilhamento de objetos, adereços e parte da cenografia ao final concretiza o que o ser humano enfrenta a cada ciclo. É dessa pirâmide de coisas que Achados & perdidos é feito e refeito por aqueles que estão dispostos a arregaçar as mangas no eterno retorno.

>> Valmir Santos é jornalista, crítico e pesquisador teatral. Coautor do site Teatrojornal – Leituras de Cena (www.teatrojornal.com.br)

Fonte: Site Teatro Jornal - Leituras de Cena

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

“Quem quiser ajudar a arrumar a bagunça, pode”, por Mayara de Araújo

Carta de despedida escrita por Danilo para Keka, Andrei e Ed
Por Mayara de Araújo

O dito popular reza: coração do outro é terra que ninguém anda. E o Coletivo Casulo, com Achados e Perdidos, desobedece. A proposta é contrária – deve-se, sim, caminhar pelo outro, por mais tortuosas que sejam essas veredas, e perder-se nelas, se necessário, se prazeroso. Andrei Bessa, Danilo Castro, Edivaldo Batista e Keka Abrantes, quatro graduados no curso de Artes Cênicas do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará – IFCE, montam, a partir de memórias compartilhadas, uma obra cênica autobiográfica, repleta de coragem para remexer em histórias tão delicadas, isso munidos de uma poesia crua, que foge de um romantismo barato, superficial. 

As reminiscências de família estão muito incrustadas na obra. A camisola da avó, o retrato de alguém, o pianinho, o ursinho da infância, as imagens de santos e de orixás, uma agenda antiga, muitas fotos nas paredes. Assim o teatrinho de arena montado sobre o palco do Teatro Universitário, no bairro Benfica, recebe os visitantes, que se acomodavam como dava, sentando-se, inclusive, junto com os objetos, dispostos no chão. 

Antes do início da sessão, um momento especial. Edivaldo encena uma imagem, uma curta performance ao som de Caetano Veloso oferecida para Danilo Castro, que se despede do coletivo e ruma para Brasília. Com a saída do ator, o processo chega ao fim em definitivo, já que, mesmo com a chegada de um novo integrante, as lembranças que são próprias de Danilo não poderão fazer parte da obra. Uma nova peça há de ser estabelecida. Pensei: que sorte a de quem está aqui. 

A sessão, portanto, foi tomada de uma melancolia saborosa desde o início. Os três revisitam, em texto e em encenações, recortes do que parecem ser lembranças reais, como a carta suicida escrita por uma tia de Danilo, que, 26 dias após tê-la escrito, falece numa noite de réveillon. Mas as recordações e intimidades não ficam apenas em parentes e conhecidos. Exploram suas próprias experiências, vasculham seus escaninhos pessoais corajosamente. 

Logo no início, Keka, por exemplo, sofre uma saraivada de provocações por causa de seu verdadeiro nome, Cremeilda, herança de família. E Edivaldo traz ao palco seu desejo infantil de ser uma santa, já que sua mãe, nas procissões religiosas, no interior onde nasceu, transfigurava-se em felicidade ao ver a imagem no andor. Outras histórias e circunstâncias abordadas, no entanto, ficam em suspenso. É difícil entender o que é ficção e o que é real. A dúvida maior recai, certamente, sobre a cena mais forte do espetáculo, que simula, entre tantas lembranças, a de um aliciamento na infância. 

A obra tocou-me, particularmente, pelas lembranças que Danilo evoca de sua avó, que, aparentemente, perdeu há pouco. Em dado momento, o ator deixa o texto e solta essa: “O que será que ela ia pensar de eu estar indo pra Brasília? Ela perguntava: E a faculdade, meu filho, como é que tá? E eu dizia: tá bem, vovó. E ela dizia que ainda ia me ver formado”. A cena foi cortante para mim, já que também perdi minhas avós recentemente. Não segurei as lágrimas e vivenciei a obra cênica discordando do dito popular – pisando em terras proibidas. Não apenas caminhando por elas, aliás, mas semeando-as.

Tecnicamente, o espaço criado para receber os espectadores não podia ser melhor. Sente-se um aconchego necessário ao processo. A proximidade, contudo, é um tanto perigosa, já que, durante a encenação, os atores destroem muitos objetos e lançam outros ao palco. Justifica-se, portanto, a preocupação de Andrei Bessa em não permitir uma superlotação da sala. 

É interessante ainda esse reforço de uma tendência perceptível em outras montagens cearenses: a de atores fazendo a iluminação em cena. Importante frisar que fizeram isso, aliás, com muita organicidade, sem interferir no fluxo do espetáculo. 

Alguma ressalva desse ser feita, no entanto, para a dramaturgia, que não é tão orgânica quanto as cenas. O jogo entre os atores é bastante harmônico. Em dada cena, por exemplo, os três atores interpretam um cachorro e seus donos. Não é preciso marcação alguma para que Edivaldo deixe de ser o cachorro e Danilo passe a agir como um, os personagens são compartilhados com muita fluidez. No texto, no entanto, nem todas as cenas conseguem estabelecer uma relação harmônica com a que a sucede ou antecede, o que provoca uma quebra de ritmo na plateia, como se mergulhássemos fundo em uma cena e, na subsequente, subíssemos para respirar. 

Quanto às atuações, vale ressaltar a naturalidade de Edivaldo Batista e a relação umbilical que os três atores e o diretor estabeleceram nesse processo. Contudo, confesso ter sentido um certo encastelamento de Keka. Na cena mais forte – a do abuso – e na mais lúdica – a do cachorro – Keka é poupada e soa como se a tivessem protegido, de algum modo, do cruel e do ridículo, o que não significa que seja necessariamente uma atriz “menor” ou menos apta às cenas citadas. Valia rever seu grau de participação nelas, em específico. 

O espetáculo vai chegando ao fim às escuras. Ao acender das luzes, os atores vão tentando arrumar a bagunça. Joga-se algumas coisas numa mala, recolhe-se os cacos de gesso das imagens quebradas, junta-se os brinquedos. O público levanta, aplaude e, enquanto este se dispersa aos poucos, os atores passam a empilhar as cadeiras vazias, de modo tal, que, no fim, vê-se um amontoado de objetos soterrados por cadeiras e tablados, como se um buraco negro tivesse sido aberto no centro do palco. 

Nenhuma analogia poderia explicar melhor essa relação que muitos estabelecem com suas memórias. Depois de uma circunstância de total exposição, a pilha de destroços mais parece uma tentativa constrangida de voltar a esconder o que foi mostrado, de fechar a caixa de pandora. 

Mas não tem jeito. Os segredos já foram revelados e agora cada pessoa da plateia leva um pouquinho daquelas biografias para casa. Estar na plateia é tão desafiador quanto estar no palco. Quem chorou, sorriu ou se constrangeu durante a obra também está exposto, é cumplice. E se não é possível simplesmente enterrar as lembranças, talvez melhor fosse repetir o convite que Andrei propõe, inocentemente, ao fim do espetáculo: “gente, quem quiser ficar e ajudar a arrumar a bagunça, pode”.
 E nessa Fortaleza, quem te ajuda a arrumar sua bagunça?

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Questionamentos de quem vai (Depoimento de Lucas Madí)

Foto de Levy Mota
Eu também queria ir embora. Sair desse lugar tão limpo e tão sujo, muito quente e muito frio, vazio que me preenche e incomoda.

Eu também queria ser artista e ir embora. Embora pra Não Sei Pra Onde, porque segundo ouço, lá é o melhor lugar do mundo. Mas eu não sei pra qual lado fica.

Seria muito mais fácil pra mim partir se me fosse dado o título de artista. Se eu fosse querido, amado, desejado por meia dúzia. É muito difícil partir quando não há quem sinta sua falta. Por que partir se ninguém sentirá sua falta? Não há motivos para despedidas. Não há quem sinta saudades. Não há quem chore sua ausência.

As vezes eu acho que já parti milhares de vezes. Mas como não há quem sinta falta, eu não posso lhe confirmar.

Se eu fosse visto com algumas malas e gomas de tangerina numa estação de trem eu não seria visto. Nem o medo, nem a fome, nem a morte me veriam, porque sou conhecido mas não existo realmente.

Talvez se eu estivesse em cartaz num teatro da cidade, no auge da temporada, o público sentiria minha falta se eu partisse. Mas eu não sou artista.

Como seria se eu fosse artista e partisse agora?

Lucas Madí é estudante de artes cênicas e cinema. 

Fonte: Blog São Dias (28/11/2013).

Danilo se despede do Achados & Perdidos (Jornal O Povo)

Foto de Levy Mota
Dentro da programação do IX Festival de Teatro de Fortaleza, o Projeto Achados & Perdidos é destaque hoje e amanhã, às 19 horas, no Teatro Universitário (Benfica). Últimas apresentações com a presença do ator Danilo Castro (foto), a montagem coloca em cena quatro artistas que se encontram para desnudarem-se em nome de uma obra cênica baseada em fatos reais. O projeto foi contemplado no Edital das Artes 2011 da Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor).

SERVIÇO


IX Festival de Teatro de Fortaleza (FTF)

Quando: hoje e amanhã, às 19h, Achados & Perdidos (CE).
Onde: Teatro Universitário Paschoal Carlos Magno (av. da Universidade, 2210 – Benfica).
Entrada franca.
Capacidade: 50 pessoas.
Outras informações: www.fortaleza.ce.gov.br/cultura

Fonte: Jornal O Povo (Caderno Vida & Arte 28/11/2013)

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Danilo decidiu ir embora

"Se eu dissesse que Brasília é bonita, veriam imediatamente que gostei da cidade. Mas se digo que Brasília é a imagem de minha insônia, veem nisso uma acusação; mas a minha insônia não é bonita nem feia - minha insônia sou eu, é vivida, é o meu espanto. Os dois arquitetos não pensaram em construir beleza, seria fácil; eles ergueram o espanto deles, e deixaram o espanto inexplicado. A criação não é uma compreensão, é um novo mistério... Brasília não me deixa ficar cansada."

Clarice Lispector,
A descoberta do mundo

Foto de JR. Panela


Fortaleza, 27 de novembro de 2013

Keka, Andrei e Ed,

Antes eu era um. Agora eu não sei mais quantos Danilos eu sou. Agora penso que um dia já tive um nome estranho ou que falsifiquei minha certidão de nascimento no cartório para ficar mais novo. Sim, eu gosto de pipocas, de cantar “zig zig, ah” e rebolar as ancas feito Spice Girls. E quero pular pra sentir o vento estapeando o meu rosto. Eu gosto de gritar seus nomes como se fosse a última vez em que fosse possível gritá-los. Eu também quero ser santa e não vejo problema nisso mesmo que eu diga que há. Eu gosto de vocês, muito, e sinto que suas vidas agora também são minhas, porque não dá mais pra dizer onde me começo e onde me termino. Somos todos “entre” - meio lá, meio cá - gozando por estarmos perdidos nessas fronteiras. Se é que elas existem. Se é que estamos perdidos mesmo. Ou essa foi a fórmula para nos acharmos uns nos outros - e amarmos uns aos outros com um amor tão forte quanto aquele que sentimos pelo nosso ofício. Eu acho que amo vocês como nunca amei outros artistas e quero continuar amando-os pelas suas memórias que se engendraram às minhas. Tenho fome de tangerina. Tenho fome de vocês. Eu decidi que vou embora daqui, mas vou continuar com fome e cheio de dor, querendo violentá-los loucamente enquanto choramos ou gargalhamos de súbito por verdades que escolhemos reviver em poesia. Vou continuar querendo criar, porque nossa criação não está arquitetada. É um mistério, é o nosso espanto, como disse Clarice. Eu não me sei mais daqui pra frente. Mas meu passado é de vocês e sei que nunca vou perdê-los de mim, mesmo em Brasília ou em qualquer lugar do mundo. 

Com saudades,

Danilo.

7 espetáculos que você não pode perder do IX Festival de Teatro de Fortaleza (O POVO Online)

Especialistas no assunto destacam peças do festival, que leva espetáculos para vários locais de Fortaleza

Foto de Levy Mota
No último sábado, 23, teve início 9ª edição do Festival de Teatro de Fortaleza. Com apresentações de espetáculos convidados e locais, oficinas e ações de formação, o evento oferece a polulação uma programação variada. O POVO Online conversou com algumas pessoas envolvidas no festival para indicar apresentações e falar um pouco mais sobre os espetáculos.

Magela Lima, secretario de Cultura de Fortaleza:

1 - 'Maravilhoso' da Inez Viana é bem bonita.

2 - Das peças do Ceará, o Ricardo Guilherme que é um clássico com 'Flor da Obsessão', que quem não viu tem que ver, porque é uma informação importante para quem gosta de teatro.

3 - Tem o novo espetáculo de Silvério Pereira, que é o 'BR Trans'

4 - O espetáculo infantil 'Que Bicho é Esse?' é muito bacana

Ricardo Guilherme, ator, dramaturgo e diretor cearense que está em cartaz no festival com as peças "A lição" e "Flor da Obsessão".

5 - "A peça 'Mão na Face', é um espetáculo bonito, digno, com o texto do Rafael Martins e direção do Yuri Yamamoto, com duas atrizes do Ceará." 

Diretor de teatro Silvero Pereira

6 - Dos trabalhos da cidade, tem o grupo Máquina, que é um dos homenageados do festival, que está com o espetáculo "Leonce e Lena". A peça é realmente imperdível.

7 - A companhia Satyros de São Paulo,  que é uma oportunidade bem rara de ve-lôs, pois raramente eles vem a Fortaleza. O 'Achados e Perdidos' é de uma galera que saiu do IFCE, mas que são atores que estão há algum tempo na estrada. É um trabalho bem performático, ele trazem coisas da vida pessoal pra cena.

Saiba Mais

Até o dia 30 de novembro, o festival será realizado em vários pontos da cidade. Além dos espetáculos, ações de formação como oficinas e trocas de ideias estarão disponíveis para o público de forma gratuita.

Confira a programação do IX Festival de Teatro de Fortaleza:

Segunda-Feira (25/11)

“Inferno na Paisagem Belga” - Cia. De Teatro os Satyros (SP)
Onde: Teatro Antonieta Noronha, às 22h

“BR Trans” – Coletivo Artístico As Travestidas
Onde: Galpão da Rffsa (Praça Castro Carreira, s/n – Centro), às 22h

“Flor da Obsessão” - Pesquisa Teatro Radical
Onde: Teatro da Boca Rica (Rua Dragão do Mar, 260 – Praia de Iracema), às 22h

“Leonce e Lena” - Teatro Máquina
Onde: Galpão da Rffsa (Praça Castro Carreira, s/n – Centro), às 19h

Terça-Feira (26/11)

“Relampião” - Cia do Miolo (SP)
Onde: Praça do Ferreira, às 17h30

“A Festa” - Pavilhão da Magnólia
Onde: CCDH Pici (Rua Coronel Matos Dourado, s/n – Henrique Jorge), às 15h

“Solo 2” – Jacu
Onde: Centro Cultural Bom Jardim (Rua Três Corações, 400 – Bom Jardim), às 19h

“Woyzeck High Tech”
Onde: Centro Cultural Bom Jardim (Rua Três Corações, 400 – Bom Jardim), às 15h

“Metrópole” - Inquieta
Onde: Theatro José de Alencar (Rua Liberato Barroso, 525 – Centro), na Sala Hugo Bianchi, às 19h

"A Lição" - Ricardo Guilherme
Onde: Teatro Antonieta Noronha (Rua Pereira Filgueiras, 4 - Centro), às 19h

Quarta-feira (27/11)

“Estar Aqui ou Ali?” - Grupo Visível Núcleo de Criação (PE)
Onde: Estoril, às 20h

“As Estripulias do Macaco Simão” - Circo Tupiniquim
Onde: Teatro Bela Vista, às 9h30

“Woyzeck” - Teatro Mosca
Onde: Teatro Universitário (Av. Da Universidade, 2210 - Benfica), às 19h

“BR Trans” – Coletivo Artístico As Travestidas
Onde: Centro de Cidadania e Direitos Humanos (Conjunto Ceará) Auditório, às 20h

“Leonce e Lena” - Teatro Máquina
Onde: Theatro José de Alencar (Rua Liberato Barroso, 525 – Centro) Sala Nadir Papi Sabóia, às 20h

“Como Representar os Negros” – Escambau
Onde: Galpão da Rffsa (Praça Castro Carreira, s/n - Centro), às 19h

“Um Tiquinho de Nada” - Sâmia Bittencourt
Onde: Feira da Beira-Mar (Avenida Beira-Mar), às 19h

“A Paixão Segundo Aquele”
Onde: Feira da José Avelino, às 17h

“A Lição” - Ricardo Guilherme
Onde: Centro de Educação de Jovens e Adultos José Neudson Braga (Benfica), às 19h

Quinta-feira (28/11)

“Aurora Boreal” - Grupo Pessoal do Tarará (RN)
Onde: Theatro José de Alencar (Sala Nadir Papi Sabóia), às 20h

“Ô Putaria” - Teatro em Película
Onde: Teatro Antonieta Noronha (Rua Pereira Filgueiras, 4 – Centro), às 19h

“BR Trans” – Coletivo Artístico As Travestidas
Onde: CEJA Neudson Braga (Av. Carapinima, 2137 - Benfica), às 19h

“Flor da Obsessão” - Pesquisa Teatro Radical
Onde: Centro Cultural Bom Jardim (Rua Três Corações, 400 – Bom Jardim), às 19h

“Como Representar os Negros” – Escambau
Onde: Galpão da Rffsa (Praça Castro Carreira, s/n – Centro), às 19h

“Projeto Achados & Perdidos”
Onde: Teatro Universitário (Avenida da Universidade, 2210 – Benfica), às 19h

Sexta-feira (29/11)

“Maravilhoso” - Inez Viana (RJ)
Onde: Cuca da Barra, às 19h

“Ô Putaria” - Teatro em Película
Onde: Galpão da Rffsa (Praça Castro Carreira, s/n – Centro), às 19h

“Que Bicho é Esse?” - Em Foco Grupo de Teatro
Onde: Teatro Antonieta Noronha (Rua Pereira Filgueiras, 4 – Centro), às 9h30 e às 14h30

“Dom Poder e a Revolta da Natureza” - Expressões Humanas
Onde: Cuca da Barra, às 9h30

“Metrópole” - Inquieta

Onde: Theatro José de Alencar (Rua Liberato Barroso, 525 – Centro), na Sala Hugo Bianchi, às 19h

“A Paixão Segundo Aquele”
Onde: Praça José de Alencar até a Praça do Ferreira, às 17h30

“Projeto Achados & Perdidos”
Onde: Teatro Universitário (Avenida da Universidade, 2210 – Benfica), às 19h

“Mão na Face” - Bagaceira
Onde: Casa da Esquina (Rua João Lobo Filho, 62 – Fátima), às 20h e 21h

Sábado (30/11)

“A Conferência” - Grupo Oco Teatro Laboratório (BA)
Onde: Galpão da Rffsa (Praça Castro Carreira, s/n – Centro), às 21h

“A Festa” - Pavilhão da Magnólia
Onde: CUCA Barra, às 19h

“As Estripulias do Macaco Simão” - Circo Tupiniquim
Onde: Mercado dos Pinhões (Praça Visconde de Pelotas – Centro), às 18h

“Solo 2” – Jacu
Onde: Feira da Beira-Mar (Avenida Beira-Mar), às 18h

Mais informações: www.fortaleza.ce.gov.br/cultura

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Danilo decidiu ir embora

Foto de Levy Mota
Últimas apresentações com participação de Danilo Castro na Obra Cênica #1 do Projeto Achados & Perdidos. Dias 28 e 29 de novembro, às 19h, no Teatro Universitário Paschoal Carlos Magno (Av, da Universidade, 2210 - Benfica). Gratuito. Capacidade para 50 pessoas. Programação do IX Festival de Teatro de Fortaleza. Informações: 85 8865.6458 ou 85 9918.3535.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Espetáculos cearenses investigam memória (Jornal O POVO)

Projeto Achados & Perdidos na 15ª Mostra Cariri de Culturas. Foto de Jr. Panela.
A certa altura do espetáculo Achados & Perdidos, já não sabemos exatamente quem são os atores Danilo Castro, Keka Abrantes e Edivaldo Batista. As memórias que eles põem em cena - lembranças suas e alheias - se misturam num processo fluido, que mimetiza o próprio ato de lembrar.

Sem texto fixo, a peça se desdobra por questões muitas vezes incômodas, como suicídio e violência sexual. E o público é convidado a participar desse processo a um só tempo doloroso e libertador: a plateia pode levar objetos pessoais para compor o cenário. Alguns deles serão, inclusive, visitados pelos atores no palco.
Uma peça sobre a memória não pode ser uma reconstrução com fidelidade. Tem que ser fragmentada, porque a memória é fragmentada, afirma Andrei Bessa, o diretor, ou melhor, propositor de um espetáculo construído coletivamente.

Eles tentam mostrar como a memória está ligada em grande medida à efemeridade do instante em que é trazida à tona pelo sujeito. Ela é assim: nunca se tem certeza absoluta do que aconteceu, completa.

Achados - que terá apresentação dias 28 e 29 de novembro no 9º Festival de Teatro de Fortaleza - é um dos espetáculos atualmente em cartaz, que iluminam os funcionamentos diversos da memória. Outro é Interior, do Grupo Bagaceira. O título, uma referência não apenas a um lugar, mas a um modo de ser no mundo, vem de uma temporada do grupo por cidades cearenses. 

As atrizes Tatiana Amorim e Samya de Lavor carregam, no trabalho corporal, o universo poético da velhice e as memórias que ele suscita. No palco, duas senhoras, uma diante da outra, parentes eternas e infinitas, vão redescobrindo suas lembranças por uma interação absolutamente necessária com o público.

Neste caso, há uma concepção bem menos escorregadia, nem por isso menos complexa, do que seria o recordar. Para o autor do texto, Rafael Martins, a obra, que tem direção de Yuri Yamamoto e produção de Rogério Mesquita, trabalha com dois tipos de memória: a primeira, uma que permeia o inconsciente coletivo e que atribuímos à figura da avó.

É um retorno ao passado, ao afeto, ao bolo servido. Fala muito ao nordestino, ao cearense, porque a gente sempre tem raízes que passam por essa troca de afeto, afirma Martins. Além disso, há a memória como produto de uma a arte que consegue processá-la e transformá-la. As pessoas dizem que conseguem lembrar de coisas que não aconteceram com elas por causa dos artistas, analisa. (Alan Santiago)

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Carta de Jared Domício ao Projeto Achados & Perdidos


Instalação "Pedaços de Todos Nós", no Teatro Universitário Paschoal Carlos Magno - UFC
Oi Andrei,

Depois de sair do seu achados e perdidos ainda meio atordoado, caminhei até a parada de ônibus e no tempo de espera fiquei olhando umas caixas de papelão que estavam encostadas na parede. Uma em particular tinha escrito na lateral: cuidado, frágil. Entrei numas sobre a memória dos objetos e entre os mil pensamentos que me chegaram entendi que eu, naquele momento, bem podia ser aquela caixa com aquela inscrição. Talvez em letras maiores, uns pontos de exclamação e algum exagero a mais, tipo: EI!! CUIDADO, PORRA!!! FRÁGIL!!

O percurso que fiz até o teatro foi estranho. Sai de casa e já fiquei sabendo que um taxista tinha sido baleado alguns quarteirões depois da minha casa. Carros de polícia na rua. Um tom de luto no rosto das pessoas. Alguma coisa anda mudando no mundo, tempos atrás seria mais um morto sem toda essa atenção. As pessoas andam sentindo umas as outras de forma diferente. 

Segui no ônibus, que desviou do caminho tradicional devido ao engarrafamento provocado por uma rua fechada onde uma pequena multidão curiosa tentava olhar algum cadáver entre os carros da polícia. Mais adiante uma moça desatenta acabou batendo o carro dela no ônibus onde eu estava. Desci, meio impaciente com toda a situação e andei um pouco mais até onde podia pegar outro ônibus que me levasse ao teatro sem tumulto. 

Chegando la encontrei a Herê, que não via há muito tempo. Entramos lá e aquele monte de objetos foram disparando coisas em mim. Acho que ando sentindo demais, talvez mais do que devia. E cada objeto abria um campo, trazia memórias entre boas e ruins que foram me desestruturando. Preparando o terreno para toda a cena. Nem sei o que comentar sobre a forma como foi feita a tal instalação. Também não sei se é uma instalação, mas também não sei se isso interessa. Talvez possamos falar disso depois. O fato é que, isso que começou com os objetos, foi ampliado com o que veio a seguir. As falas, as ações oscilavam entre divertidas, dramáticas e constrangedoras.

Gostei da experiência. Entendi que ser público no lugar que vocês construíram é tão desafiador quanto ser ator. Saí dalí meio em suspensão. Um tanto arrependido de não ter falado um “parabéns pelo trabalho!!” ou de ter dado um abraço mais forte que pudesse traduzir para você que gostei muito do que assisti. Mas é que sentí demais, de tudo um pouco, por mim, por outros. E não soube bem como encerrar aquilo e me expressar de uma forma que valesse a pena. Foi quando vi a caixa da parada do ônibus e me enxerguei jogado no pé do muro com o aviso de “cuidado, frágil”(pero no mucho), mais do que eu gostaria ou deveria para idar bem com mundo.

Cheguei em casa e já começei a escrever esse texto. Conversando comigo sobre umas nostalgias e procurando um jeito de dizer a você que fico feliz de ter sido convidado para viver isso e dê os parabéns para os atores também.

Abração!

Jared

2/10/2013

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

O encontro marcado no acervo das memórias (Jornal Diário do Nordeste)

Nova temporada do projeto coletivo "Achados & Perdidos", hoje e amanhã, no Teatro Universitário

Por Andressa Souza

No palco e na plateia, um porão de recordações. Empoeiradas ou sempre revisitadas, cada qual com um significado precioso: a memória é uma doação e um primeiro passo. O Projeto Achados & Perdidos, novamente em cartaz a partir de hoje, propõe um teatro baseado em fatos reais dentro de uma obra sempre aberta e reciclada por novas lembranças - dos artistas e do público.

Foto de Levy Mota
Pensado em julho de 2012, as primeiras apresentações do projeto - assim chamado por ser híbrido e reunir em si ações de diversas linguagens, como o teatro, a performance, a instalação e a fotografia - aconteceram em junho de 2013. O mote inicial é um resgate das memórias dos próprios criadores, os artistas Andrei Bessa, Danilo Castro, Edivaldo Batista e Keka Abrantes. Emocionalmente desnudos pela consciência de que a plateia assiste e acompanha o real em suas vidas, o comum e o extraordinário do cotidiano transformado em lembranças, os atores mergulham em seus passados e presentes teatrais e pessoais em busca de inquietação e criação.

"A gente tem tentado compreender o teatro como uma experiência para quem faz e para quem assiste", explica o ator Danilo Castro. Essa forma mais dinâmica e interativa de fazer teatro é perceptível em vários aspectos do espetáculo, a começar pelo cenário. A instalação onde a obra cênica se dá é aberta ao público com uma hora de antecedência, para que cada espectador traga um objeto caro à sua história: uma foto, uma carta, um bicho de pelúcia, uma coleira de cachorro. Um pedaço de trajetória e lembrança. Os atores estão à espera para conhecer cada uma dessas recordações. Em cena, o público se emociona: a referência a cada um dos anônimos ocultos pelas luzes apagadas na plateia é clara. São as histórias deles, misturadas às experiências de Danilo, Andrei, Keka e Edivaldo ali, sobre o palco. "A gente queria uma relação entre artistas e público que não fosse invasiva, mas que pudesse trazer a pessoa por um laço afetivo", define Castro. "O espetáculo já começa em casa quando a pessoa pensa no que vai levar". Para Bessa, é como um encontro amoroso para o qual cada um se prepara com um cuidado especial.

Por conta dessa interação, que varia com o público e suas exposições e aberturas, o projeto não se prende a falas decoradas ou estruturas engessadas. "A obra é processual e está sempre em estado de construção", define Andrei Bessa, cujo objeto de estudo no mestrado em Artes da Universidade Federal do Ceará é o Achados & Perdidos como um espetáculo que foge do tradicional dramatúrgico. De acordo com Danilo Castro, o método utilizado é o de criação em cena, onde existe um roteiro definido, mas não uma dramaturgia única. "Existe uma ordem de cenas que vão variando de acordo com a textura que cada apresentação propõe", explica. "A gente deseja, sente a energia, sente a possibilidade para que as coisas se encaixem de maneira mais orgânica", acrescenta Bessa, que costuma ficar fora do palco, pois trabalha como um provocador e um propositor de cena para os outros três companheiros.

 "Desafiador é uma palavra que norteia a gente desde o início", define Andrei Bessa. "Sabíamos que isso ia nos provocar como artistas." Para o ator, trazer cenas, memórias, falas e figuras que atravessam cada um durante a vida faz com que o espectador acesse outros lugares e estados. "Nós escolhemos que em vários momentos o espetáculo pare de falar da gente. Queremos que as pessoas comecem a se olhar, que os espectadores saiam revirados, se questionando. Não precisamos fechar as coisas, precisamos deixar as feridas abertas. Não somos só nós que vasculhamos nossos acervos de memória", explica Bessa.

Foto de Andrei Bessa
Achados & Perdidos atinge o nível do quase terapêutico por tratar das histórias de vida, das alegrias e das desventuras que acometeram os envolvidos presentes no teatro, sejam eles o público ou os atores. "Esse espetáculo chega muito nas pessoas, elas se identificam com as nossas questões. Suicídio, casamento, são situações que fazem parte do cotidiano de muitas famílias", conta Danilo Castro. As reações a essa linha tênue entre passado e presente, real e verossímil, são distintas. Os atores relatam casos de espectadores emocionadíssimos, a ponto do choro copioso ser desconcertante e provocador, e outros revoltados, enfurecidos. "A gente amadureceu em relação às nossas questões pessoais e como artistas", explica Danilo. "A gente trata os problemas como batentes de superação, rememora momentos difíceis, compartilha." O ator confessa que o grupo antes receava as críticas ao espetáculo por suas linhas que fogem ao tradicional. Hoje, o novo é justamente o maior propulsor e incentivador do trabalho dos quatro.

As obras do Projeto Achados & Perdidos serão apresentadas dias 1, 2 e 3 de outubro, a partir de 18h30, como parte da programação do Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB), no Teatro Universitário. A programação é gratuita. Um lembrete: leve tudo de si e um pedaço da sua história.

Mais informações

Projeto Achados & Perdidos - Hoje e amanhã, às 18h30, no Teatro Universitário (Av. da Universidade, 2210 - Benfica). Gratuito. Contato: (85) 3366.7831

Fonte: Caderno 3 - Jornal Diário do Nordeste (02/10/2013)

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Em outubro, nova temporada do Projeto Achados & Perdidos no Teatro Universitário

Foto de Levy Mota

Após a apresentação de despedida do Edivaldo, que quase se perdeu na Escócia, o Projeto Achados & Perdidos retorna aos palcos com obra cênica e instalação. As apresentações acontecerão dias 1, 2 e 3 de outubro, como parte da programação do Centro Cultural Banco do Nordeste do Brasil (CCBNB), no Teatro Universitário Paschoal Carlos Magno (Av. da Universidade, 2210 - Benfica) sempre a partir de 18h30min. A entrada é franca. Informações: 88656458 ou 99183535. Capacidade para 50 pessoas. Não haverá reserva de ingressos.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Diários

Cada dia anotado é um dia preservado. Dupla e vantajosa operação. Assim, vivemos duas vezes. Assim, protegemo-nos do esquecimento e do desespero de não ter nada a dizer. "Prendamos com alfinetes nossos tesouros", diz horrosamente Barrès.

Maurice Blanchot

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Informações Técnicas

Concepção da Obra Cênica #1


A Obra Cênica #1 do Projeto Achados & Perdidos foi concebida originalmente para ser apresentada em espaços não-convencionais de teatro. Nosso intuito é também descobrir e experimentar lugares potencialmente artísticos como galpões, galerias, salas de ensaio e salões. No entanto, o Projeto já realizou apresentações em palcos de teatros convencionais, onde o público ficou disposto em corredor, em cima do palco. No alto, balões luminosos são pendurados sobre a arena cênica.

A obra possibilita uma proximidade maior da plateia com os artistas, com os objetos da instalação "Pedaços de Todos Nós" e com a própria cena. Portanto, a obra pode ser apresentada em diversos tipos de espaços. Em geral, utilizamos paredes para a exposição de quadros, fotografias, projeções e objetos que fazem parte da instalação. O número de espectadores varia normalmente entre 20 e 100 pessoas, dependendo de cada espaço, que podem se acomodar em cadeiras e colchonetes que formando um corredor cênico, conforme é possível visualizar no nosso mapa de palco, em anexo.

Mapa de Palco


terça-feira, 6 de agosto de 2013

Pequenos trabalhos não são trabalhos pequenos (Jornal Diário do Nordeste)

Grupos de Fortaleza avaliam evento pioneiro de circulação de espetáculos só por sedes de companhias

O título dessa matéria é homônimo ao projeto mensal realizado na Casa da Esquina, sede dos grupos Teatro Máquina e Bagaceira. Nele, companhias teatrais apresentam esquetes e montagens ainda em processo, compartilhando trabalhos e discutindo ideias. Em meados do fim de julho, grupos de teatro de Fortaleza, inspirados em ações como essa, decidiram parar de esperar pelo poder público e fazer teatro, mesmo sem teatros. Assim surgia o I Circuito Alternativo de Teatro, fruto da interdição dos principais palcos da cidade e da indignação com a falta de proatividade da gestão de cultura estadual. De 23 a 28 de julho, oito companhias locais cederam gratuitamente suas sedes para abrigar espetáculos de 26 grupos, gerando uma verdadeira partilha entre grupos de teatro da cidade e descentralização as apresentações.

O festival foi também uma forma de dar visibilidade aos espaços, que atuam como verdadeiros centros culturais, mas sem nenhum apoio institucional

Ao longo dos dias de festival, pela opinião de atores e diretores nas redes sociais, tanto das companhias que se apresentaram quanto das que sediaram, captava-se um sentimento comum de êxito. "Foi uma apresentação maravilhosa. A Aldeia (sede do grupo Expressões Humanas) tinha capacidade para 30 pessoas e 15 pessoas não puderam entrar, isso pra mim é a prova de que haviam sim muitas pessoas interessadas em conferir o circuito", afirma Danilo Castro, integrante do Projeto Achados & Perdidos.

Segundo ele, a plateia de Achados & Perdidos, apesar de pequena, foi bem diversa. "Havia colegas do teatro, que ainda não tinham conseguido ver o espetáculo, já que estreou em curta temporada, mas também tinham pessoas que não eram da classe teatral. Como nosso espetáculo tem uma proposta psicológica, aproximada da instalação, haviam também umas estudantes de psicologia, psicodramistas", afirma o ator.

Também Nas Quebradas do Mundaréu, sede do Grupo Imagens de Teatro, a apresentação de "João Botão", do Teatro Máquina, reuniu uma porção de crianças da comunidade. "Já estava pertinho de começar e tinham poucas pessoas. Mas aí o grupo do Edson, os ´donos da casa´, andou ali pelas ruas do bairro e rapidinho a casa estava lotada", comenta Danilo, morador do mesmo bairro da sede do Imagens, o Monte Castelo.

Para ele, o festival foi ainda uma forma de dar visibilidade a esses espaços, que atuam como verdadeiros centros culturais nas periferias, mas sem nenhum apoio institucional. "Esse circuito só reforça que, quando pedimos dinheiro ao poder público, não é apenas para sanar nossas angústias artísticas, mas para levar cultura ao povo. A Casa da Esquina, do Teatro Máquina e do Bagaceira, realiza todo mês mostras mensais de esquetes, além de sempre dar um jeitinho de ceder o espaço para ensaios. Nosso grupo mesmo já ensaiou lá várias vezes. Então, por que não potencializar uma iniciativa como essa?", defende.

Nesse sentido, o que a classe teatral reivindica é o aumento de editais de manutenção de grupos, políticas, aliás, bastante recentes, de cinco anos ou menos. "As ações formativas que acontecem nesses espaços são pequenas, assim como eles. Talvez por, justamente, não chamar tanta atenção, não se tratar de grandes centros culturais, o governo não dê o devido valor", alerta Danilo.

Análise

Na última quarta-feira, dia 31 de julho, representantes dos grupos organizadores se reuniram para avaliar o evento. De acordo com Raimundo Moreira, líder da Companhia Prisma de Artes, do bairro Dias Macedo, a reunião foi bastante produtiva e já se pode adiantar algumas ações previstas pela "turma do circuito": a proposta é promover o circuito semestralmente. O próximo possivelmente será em janeiro de 2014. "Queremos também que seja mais tempo, de repente uma semana toda, e em mais sedes. Pelo menos outros cinco grupos nos procuraram, dizendo: ah, também temos sedes, também queremos!", comenta Raimundo.

Segundo o diretor, com a extensão dessa programação, a ideia é fazer mais sessões em menos sedes por dia, para - por um lado - comportar todo o público, já que as sedes são pequenas; e, ao mesmo tempo, garantir que espetáculos não concorram entre si. Apesar de relatos de lotação em algumas apresentações, outras, no entanto, foram canceladas por falta de público, o que leva a pensar que há sim pontos a se repensar para as próximas edições.

"A diluição da programação por mais dias parece ser uma boa solução, pois podemos nos dedicar à divulgação de menos espetáculos por dia. Além disso, abre-se a possibilidade de os grupos se assistirem", acrescenta. Há também o desejo de que haja mais trocas entre o grupo visitante e o anfitrião. "Seria ótimo se os atores da companhia chegassem cedo nas sedes, conversassem, ensaiassem, almoçassem por lá e aí sim, à noite, fizessem sua apresentação e um debate breve com os interessados, depois do espetáculo", aponta Raimundo.

MAYARA DE ARAÚJO
REPÓRTER

Fonte: Caderno 3, Jornal Diário do Nordeste - 06/08/2013

sábado, 3 de agosto de 2013

my way


As memórias são caminhos? Daqueles sem começo e nem fim, que só acontecem quando são trilhados? Quais caminhos já percorri? Quais caminhos possíveis pela frente? Quantos caminhos posso percorrer ao mesmo tempo? Talvez não façam sentido essas perguntas. Talvez elas não precisem de respostas. Os pontos de interrogação me são mais graciosos que os finais. A cada caminho que volto a percorrer, vou percorrendo no momento presente. Memória não tem idade, memória é no presente, memória é presente. Tantos caminhos me atravessam agora. Tantos caminhos para atravessar neste exato agora. Já é tarde. Vou-me, andarilho de mim mesmo.

and i do it my way from Andrei Bessa on Vimeo.

sábado, 27 de julho de 2013

Edivaldo não se perca na Escócia!


Obra cênica do Projeto Achados & Perdidos se despede de Edivaldo Batista no dia 28 de julho (domingo), 19h, na sede Aldeia Expressões (R. Barão de Aratanha, 605, Centro. Próximo à Av. Domingos Olímpio: migre.me/fByv7). Talvez ele se perca em Edimburgo, na Escócia. Participe dessa experiência. Capacidade para 30 pessoas. Não haverá reservas. Entrada por ordem de chegada. Gratuito.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Uma casa pra chamar de nossa


Depois do EDITAL PÚBLICO - SEU LAR É UM CENTRO CULTURAL, lançado pelo Projeto Achados & Perdidos na última semana, diversas pessoas se inscreveram interessadas em transformarem suas residências em centros culturais por um dia, recebendo intervenções. 

O edital surgiu diante do descaso do poder público com a cultura, sobretudo com a escassez dos espaços públicos para apresentações. Com isso, aproveitamos os nossos tensionamentos estéticos/temáticos e convidamos as pessoas de Fortaleza para dividirem memórias conosco em suas próprias casas. 

A primeira edição do "Projeto Achados & Perdidos Por Aí" contará com desdobramentos de cenas e vídeos que não entraram na nossa primeira temporada. A casa que vai receber nossas ações neste sexta-feira, dia 26/07, é o lar do assistente social Pedro Vicente. Sua morada se chama "Ilê Dandara" e fica à Rua Princesa Isabel, n° 1776, próximo à Academia Meta e ao espaço Solar dos Evangelistas, no Centro de Fortaleza. A casa já recebeu outras apresentações e possui até página no Facebook: www.facebook.com/iledandara

O Projeto Achados & Perdidos agradece a todas as pessoas que inscreveram suas residências e comunica que em breve poderemos entrar em contato para novas ações. Logo mais colocaremos aqui no blog um novo post informando sobre o horário das ações na casa Ilê Dandara.

Keka, Danilo, Edivaldo e Andrei.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Teatro no quarto, quintal, na varanda ou sala de estar (Jornal Diário do Nordeste)

Cenas de Achados e Perdidos:
dos palcos para residências,
em nova relação com o público
Frente à falta de espaços para apresentar projeto, grupo de artistas abre "edital" para selecionar residências

Na falta de alternativas, o punk há muito já disse: faça você mesmo. Parece ter sido essa a inspiração dos artistas Andrei Bessa, Danilo Castro, Edivaldo Batista e Keka Abrantes, graduados no curso de Artes Cênicas do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) e idealizadores do projeto Achados e Perdidos, para sua nova ação: o "edital" Seu Lar é um Centro Cultural.

A proposta é levar uma continuação do projeto às casas de pessoas interessadas - mais especificamente, videoperformances e cenas não utilizadas na obra cênica Achados e Perdidos, que cumpriu temporada em junho deste ano no Teatro Universitário Paschoal Carlos Magno. O trabalho gira em torno das memórias de pessoas comuns. Nada de celebridades, super-heróis, grandes intelectuais, cientistas ou escritores, mas lembranças e relatos que constroem a minha, a sua ou a vida do vizinho. A ideia surgiu a partir de uma conversa entre os artistas sobre histórias de infância, da juventude, fatos de família e os dilemas deles derivados - alegres ou tristes, simples ou delicadas. A obra segue um roteiro prévio que conduz a ação no palco, mas não há texto e marcações determinados. Assim, Achados e Perdidos baseia-se muito na improvisação e construção ao vivo, em um processo contínuo de criação. Os ingressos eram reservados com antecedência por e-mail. Aos espectadores, era pedido que trouxessem um objeto associado à alguma lembrança.

PolíticoNesse formato, Achados e Perdidos poderia facilmente ser adaptado para espaços alternativos além do palco em um teatro. Mas o grupo decidiu transformar a busca em uma ação política, "diante do descaso do poder público com a cultura, sobretudo com a escassez dos espaços públicos para apresentações", segundo texto do edital.

"Fortaleza enfrenta um problema sério com seus principais palcos em reforma ao mesmo tempo", critica Andrei Bessa, um dos integrantes do grupo. Atualmente, os cinemas e o teatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura encontram-se em reforma. O TJA está na fase final de implantação de seu projeto de acessibilidade, mas em breve deve ser fechado para uma grande reforma. O mesmo está previsto para o Centro Cultural Bom Jardim.

"Todos entraram em obras ao mesmo tempo, em um momento em que a cidade nunca teve tanta produção, tantos espetáculos a serem divididos com os espectadores. Poderíamos apresentar (Achados e Perdidos) em outros lugares, mas encaramos isso mais como uma discussão política", resume Bessa.

Um outro debate suscitado pelo edital e destacado pelo ator é legitimação da arte. "Quais são os espaços efetivados para se fazer arte? Por que apenas no TJA ou no CCBNB é arte? Por que ela não pode estar em outros espaços? Então é um questionamento de mão dupla", observa.

O edital já chamou atenção de algumas pessoas no Facebook, onde o projeto mantém uma página, inclusive de interessados que não moram na Capital. Para Bessa, a proposta de usar residências particulares vai ao encontro do tema da memória, como se o participante não emprestasse mais apenas um objeto, mas toda sua casa. "Com isso, levamos nossa pesquisa a outro patamar", frisa.

O prazo para participar encerra-se hoje. Interessados em receber o trabalho devem enviar pelo Facebook ou por e-mail (achadoseperdidos.projeto@gmail.com) uma descrição da sua casa, com endereço, explicitando os espaços que julgam mais viáveis para as cenas acontecerem - preferencialmente com medidas e imagens.

As vivências devem acontecer nos dias 26 e 28 de julho, à noite (o candidato deve informar em qual data tem disponibilidade). O grupo promete entrar em contato com os selecionados até amanhã, para marcar uma visita prévia. Depois disso, resta convidar amigos e vizinhos. Bessa ressalta que não se trata de uma obra cênica, mas desdobramentos e cenas avulsas elaboradas ao longo do processo de criação, que não fizeram parte do resultado final levado ao público em junho passado. Assim como em outras ocasiões, as apresentações serão filmadas.

ADRIANA MARTINS
REPÓRTER 

Fonte: Caderno 3 - Diário do Nordeste - 22.07.2013

terça-feira, 16 de julho de 2013

Projeto Achados & Perdidos Por Aí



EDITAL PÚBLICO - SEU LAR É UM CENTRO CULTURAL

Diante do descaso do poder público com a cultura, sobretudo com a escassez dos espaços públicos para apresentações, o Projeto Achados & Perdidos lança este edital.

Assim, aproveitamos nossos tensionamentos estéticos/temáticos e convidamos as pessoas de Fortaleza para dividir memórias em suas próprias casas. A primeira edição do "Projeto Achados & Perdidos Por Aí" contará com desdobramentos de cenas e vídeos que não entraram na nossa primeira temporada. Segue como você deve proceder:

1. Envie pelo Facebook ou pelo e-mail: achadoseperdidos.projeto@gmail.com até o dia 22/07 uma descrição da sua casa, com endereço, explicitando os espaços que você acha mais viável para acontecerem nossas cenas - pode ser uma sala, uma varanda, um quintal ou um quarto mais desocupado.
(Se puder, nos envie medidas ou fotos desses espaços - serve foto de celular)

2. As vivências poderão acontecer nos dias 26 e 28 de julho no período da noite - informe também as datas disponíveis.

3. Entraremos em contato até o dia 23/07 informando se conseguiremos fazer essa vivência e marcando uma visita prévia de nossa equipe para conhecer melhor o espaço.

4. Aí, é convidar os amigos e vizinhos para esse momento especial.

De antemão, o Projeto Achados & Perdidos informa que essas apresentações são apenas experiências para um projeto que deverá ganhar outras edições ainda em 2013 - assim, se por ventura sua casa não puder ser ocupada por nós nessas datas, fique atento que poderemos ter outras oportunidades.

Ajude-nos a divulgar essa ação.

Vamos inventar novos lugares para se fazer arte em nossa cidade!

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Uma temporada perdida no tempo

Foto de Levy Mota
Fim da primeira temporada da nossa obra cênica: Teve gente que chorou compulsivamente, gente com vontade de vomitar, gente dando gargalhada, gente que invadiu uma das cenas e interrompeu o espetáculo, gente que nos julgou de anti-éticos, anti-teatrais e inocentes, gente que nos enviou depoimentos calorosos, emocionados (outros nem tanto), gente que nos agradeceu, gente que nos odiou a partir dali, gente que ficou atônita, que não soube o que dizer. Nós também estamos aprendendo com tudo isso. Como disse hoje Gyl Giffony: "teatro não é evento, é experiência". Obrigado a todos que compartilharam essa experiência conosco. O Projeto Achados & Perdidos continua com suas performances, intervenções, instalações e obra cênica. Em breve, novas apresentações. Foi Lindo ver a plateia no nosso encerramento, a maior bilheteria que já tivemos. Nosso público da despedida também renunciou à final da copa viver tudo isso. Essa foi nossa forma de protestar. 

Danilo.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Novo e-mail para reserva de ingresso

Desde domingo, 16/06, tivemos problemas com o e-mail: (contato@pavilhaodamagnolia.com.br). As reservas que foram feitas antes dessa data continuam de pé. Agora, para efetuar as novas reservas, basta enviar e-mail com seu nome e data em que pretende assistir para:

ingressos.achadoseperdidos@gmail.com

Lembrando que são apenas 30 pessoas por sessão, é importante reservar para poder conferir o trabalho. A temporada acontece no Teatro Universitário, às 19h, todos os finais de semana de junho.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Achei, vivi, perdi. (depoimento de Calanta Viana)

Uma semana depois de ter assistido a peça achados e perdido e eu ainda estou mexida, tocada.

Logo ao entrar na sala/instalação onde o publico podia pegar nos objetos, lembranças  dos atores, ali, naquele momento a melancolia bateu.

Cartas de amor escritas na adolescência, fotos de infâncias, discos e brinquedos dispostos pela sala, me fizeram perceber que não tenho mais importantes lembranças físicas e psicológicas.

Deletei da mente. Outras viraram atemporais.

Joguei muita coisa fora. Por raiva, por querer deixar de ser apegada às coisas e pessoas, por achar que estava crescendo e aquilo não me representava mais ou por achar que me desfazendo das coisas as lembranças que elas me traziam iriam embora.

Que tolice.

Deu saudade.

Deu saudade da emoção ao ler as 15 cartas que ganhei. Uma para cada dia das férias. Saudade da farda do colégio toda assinada no ultimo dia da escola. Das cartas trocadas entre melhores amigas, dos cadernos com trechos de músicas que lembrava no meio de uma aula. Dos textos que escrevi e rasguei.

Uma fuga, talvez.

O pouco que  mantive me completa mais ainda hoje. Principalmente as fotos. Essas vem comigo sempre.
Ainda assim, quis revirar o meu baú, reviver minhas emoções. Não pude. Medo. Pudor.


Quem sabe quando essa emoção passar eu possa me acessar, me reaproximar, me ressignificar. 

Expor para criar (Jornal O Povo)

Projeto Achados e Perdidos segue em cartaz nos finais de semana de junho. A obra é criada a partir das memórias dos atores e do público


Pode entrar, a sala é aconchegante, cheia de memórias e afetos. O Projeto Achados e Perdidos se apresenta na residência do Grupo Pavilhão da Magnólia, no Teatro Universitário. O público encontra um espaço repleto de brinquedos, fotos, discos, livros e vários outros objetos emblemáticos das histórias de vida de Andrei Bessa, Danilo Castro, Edivaldo Batista e Keka Abrantes. Quem vai ao espetáculo é também convidado a trazer um objeto, deixando marca nessa obra cênica tão singular e sensível.

Baseando-se em histórias reais, o projeto costura fatos e sentimentos em obra sem roteiro prévio nem direção convencional. “Partimos muito do principio de criação em cena. Nos ensaios, íamos jogando com o improviso a partir das memórias trazidas por cada um”, diz Edivaldo. Andrei Bessa é o propositor da obra, sugerindo os modos de construir o que será apresentando ao público. Danilo, Edivaldo e Keka estão em cena contando suas próprias histórias.

O grupo se reuniu em julho de 2012 e os quatro passaram, então, a resgatar histórias já vividas, levantando dilemas. Surgiram questões de diversas ordens, como descontentamento com o nome de batismo, desejos infantis reprimidos, tragédias familiares marcantes e outras intimidades.

Para Danilo, essa imersão nas histórias de vida dos atores representa um mergulho numa zona de desconforto muito produtiva. “Muitos artistas trabalham com esse tom autobiográfico e isso é interessante porque lida com questões e dilemas reais. É um lance de se desafiar, de dar a cara à tapa”, conta. “Poetizar o cotidiano nos pareceu mais interessante do que reviver grandes heróis”, diz Andrei. O artista destaca a identificação dos espectadores com a obra cênica. “Por mais que tudo que criamos em cena parta de nossas memórias e intimidades, na verdade é uma forma de atingirmos as particularidades de nossos espectadores”.

Na apresentação, a memória não é só o tema, mas também a estética trabalhada. As portas desta sala de memórias são abertas às 19 horas, mas a obra só começa mesmo às 20 horas. Quem chega cedo não se arrepende, os quatro garantem. “O nosso projeto não se resume apenas à obra cênica, durante todo o processo foram realizadas performances e instalações e algumas delas serão partilhadas antes da encenação”, conta Keka.

Ponto de Vista

Eduardo Siqueira, estagiário do Núcleo de Cultura

Para assistir ao projeto Achados e Perdidos, é necessário levar algum objeto que represente nosso passado, nossas lembranças. Eu levei a coleira do meu cachorro, Hugo, falecido no dia anterior. Ao ser perguntado onde gostaria que a coleira ficasse, pedi ao Danilo Castro que a colocasse junto ao regador, onde estavam também algumas flores, pois o Hugo gostava muito de ficar no jardim lá de casa. E assim ficou minha lembrança, misturada a tantas outras no meio da sala. Só não poderia imaginar que, em pleno espetáculo, minha história com Hugo fosse fazer parte do script da peça. “Tá vendo aquela casa? lá tinha um cachorrinho. O nome dele era Hugo”. Mexer com memória é algo muito pessoal e delicado. Há quem não saiba lidar com certos sentimentos, há quem nem queira fazer isso. Pois é justamente esse o desafio do projeto. Não quer apenas apresentar um espetáculo teatral, e sim cutucar nossas lembranças, trazer à superfície aquilo que há muito não mostramos, fazer refletir e, como no meu caso, até fazer chorar.

SERVIÇO

Achados & Perdidos

Quando: sábados e domingos de junho, a partir das 19 horas.
Onde: Teatro Universitário (Av. da Universidade, 2210 - Benfica)
Reserva de ingressos: www.projetoachadoseperdidos.blogspot.com
Informações: 99183535

Fonte: Jornal O Povo (Caderno Vida & Arte - 14/06/2013)
Fonte do ponto de vista.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Memórias vasculhadas entre Achados & Perdidos (Portal Tribuna do Ceará)

"A memória deixou de ser apenas de um e passou a ser do grupo" conta Edivaldo Batista. "Deixou de ser memória para ser material de cena."

Partindo da vontade de contar histórias e, a princípio, sem saber ao certo a que lugar esse desejo conduziria o processo, foi que se construiu gradativamente o espetáculo Achados & Perdidos. Baseado em fatos realmente vividos, e que ficaram marcados na memória dos quatro artistas envolvidos, o trabalho estreia neste sábado (8), às 19h, no Teatro Universitário Paschoal Carlos Mágno, no Benfica.

No palco, sob proposições de Andrei Bessa, estão Danilo Castro, Keka Abrantes e Edvaldo Batista, todos graduados em Artes Cênicas pelo Instituto Federal do Ceará (IFCE). Edivaldo, que cria uma gata chamada Guenon, gosta de samba, cerveja, comida, bermudinhas e café, conversou com o Blog Em Cena sobre como tem sido estar entre esses achados e perdidos. O projeto foi contemplado no Edital das Artes 2011 da Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor).

“A proposta inicial partiu da Keka que estava a algum tempo sem trabalhos de teatro”, explica, “a ideia era que fosse um espetáculo que contasse histórias.” Ele disse, ainda, que colocar na peça as próprias memórias, as próprias histórias, “foi gostoso” e conta que o processo se dividiu em duas etapas. No primeiro momento, era trazido material que significasse alguma coisa dentro das sensações e memórias que eram evocadas, desde objetos e cartas a imagens.

O segundo momento foi a compilação desse material que foi despertado e a sua transformação no objeto artístico que seria exposto ao público. O ator fala do desafio que foi essa triagem. “Não queríamos que fossem quatro monólogos“, diz, “foi preciso perceber no que as propostas de um dialogavam com as propostas dos outros.” Ele conta que o grupo foi percebendo questões que sempre retornavam, sempre voltavam em mais de um ator e, de alguma forma, elas se relacionavam com outras questões levantadas e, assim, foi se calcificando o esqueleto do espetáculo.

Olhares de fora

Depois que já havia esse esqueleto levantado, Achados & Perdidos contou com colaboração de amigos que puderam dar um olhar externo ao que estava sendo despertado na sala de ensaio. Rafael Barbosa, por exemplo, fez supervisão dramatúrgica, mas com poucas intervenções, segundo Edivaldo, porque, de forma natural, durante o processo o texto foi surgindo e se solidificando. Aline Sampaio fez supervisão coreográfica, Felipe Ferro colaborou com a parte vocal e Rafaella Kalafa com os figurinos.

“A memória deixou de ser apenas de um e passou a ser do grupo. Deixou de ser memória para ser material de cena.”, conclui Edivaldo Batista.

Serviço

Achados & Perdidos fica em cartaz aos sábados e domingos de junho, sempre às 19h.
O Teatro Universitário fica na Avenida da Universidade, 2210 – Benfica)
O ingresso é uma troca: Você envia e-mail para contato@pavilhaodamagnolia.com.br com seu nome completo, informando a data em que vai comparecer. Dai você vai receber uma solicitação surpresa que será revertida no seu ingresso na entrada do evento.

A capacidade é de apenas 30 pessoas por sessão.

Fonte: Blog Em Cena (Portal Tribuna do Ceará)

sábado, 8 de junho de 2013

Achados & Perdidos estreia obra cênica hoje no Teatro Universitário (Jornal O Povo)

Projeto reúne quatro artistas debruçados sobre memórias e intimidades. A obra cênica reúne variadas linguagens artísticas e segue em cartaz durante todos os finais de semanas de junho

Andrei Bessa, Danilo Castro, Edivaldo Batista e Keka Abrantes são artistas, mas são também personagens complexos, cheios de histórias para contar. Os quatro se desnudaram em nome de uma obra cênica que reúne intimidades e memórias, formando o Projeto Achados & Perdidos. Para contar essas histórias baseadas em fatos reais, os atores recorrem a linguagens artísticas diversas, como performances, instalações, fotografia e audiovisual. A obra cênica estreia hoje no Teatro Universitário (Benfica).

O projeto surgiu em julho de 2012 e os quatro artistas passaram, então, a resgatar histórias vividas na infância e colher fatos com os familiares, surgindo, assim, dilemas dos mais simples aos aparentemente inconfessáveis. “Se podemos encenar ficções de Tchekhov, Shakespeare, Dias Gomes, porque não podemos nos desafiar encenando nossa própria vida?”, indaga o ator Danilo Castro.

Os quatro artistas são graduados no curso de Artes Cênicas do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) e o projeto foi contemplado no Edital das Artes 2011 da Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor). Do quarteto, Danilo, Edivaldo e Keka estarão em cena, enquanto Andrei funciona como propositor. “Não estamos em um processo hierárquico. Não temos um diretor. Somos quatro artistas e temos funções diferentes dentro dessa obra”, explica Danilo.

“O que o público irá ver é uma instalação, com diversos objetos e registros em outras linguagens artísticas , além de uma obra cênica completa”, conta Andrei Bessa. Os atores seguem um roteiro prévio, porém não há texto e marcações pré-determinados. “Nossa obra cênica se recria a cada apresentação, mesmo tendo sempre um fio condutor, ela é única a cada vez que é revisitada”.

Segundo Andrei, os artistas apresentam suas vivências visando aproximá-las do público. “Buscamos nossos abismos pessoais para fazermos com que aqueles que mergulhem conosco também assim o façam”. (Paulo Renato Abreu - Especial para O POVO)

Serviço

Achados & Perdidos
Quando: 8, 9, 15, 16, 29 e 30 de junho, a partir das 19h.
Onde: Teatro Universitário (avenida da Universidade, 2210 - Benfica).
Ingresso: envie e-mail para contato@pavilhaodamagnolia.com.br com seu nome completo, informando a data que você comparecerá.
Outras info: 9918 3535.